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Obrigado, Frei Hildebrando!

Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador

 

Na entrada da cidade de Damasco, o apóstolo Paulo ouviu uma ordem de Jesus: “Levanta-te, entra na cidade, e ali te dirão o que deves fazer”. Tendo obedecido, Paulo encontrou-se com Ananias, que curou sua cegueira e o orientou nos primeiros passos como cristão. Hoje, não é possível se pensar nesse grande apóstolo sem voltar o pensamento para Ananias. Não foi Ananias que escolheu exercer o papel que desempenhou: foi Deus que assim o quis, mostrando que lhe agrada servir-se de intermediários para conduzir alguém por Seus caminhos.

Frei Hildebrando Kruthaup, franciscano, nascido na Alemanha em 1902, foi o principal “Ananias” na vida de Irmã Dulce. Ordenado sacerdote no Brasil, em 1929, viveu em Salvador ao longo de cinquenta anos, dedicados à assistência social, fazendo-se brasileiro com os brasileiros. Criou a União Operária de São Francisco (mais tarde: Círculo Operário da Bahia), fundou as Obras Sociais Franciscanas, a Casa de Retiro São Francisco e o Carmelo da Bahia. Profundamente tocado pela pobreza e pelas desigualdades sociais de Salvador, Frei Hildebrando multiplicou-se para apoiar necessitados, doentes e operários, convicto de que “Antes de se pensar em salvar as almas dos pobres, é preciso proporcionar-lhes uma vida que lhes permita tomar consciência de que têm uma alma” (Palestra, 1986). Percebendo a importância dos meios de comunicação, abriu salas cinematográficas e fundou, em 1941, a Rádio Excelsior da Bahia. Mantendo sempre vivo o espírito missionário, comprou uma caminhoneta e fez dela um carro- capela, para atender o povo da periferia de nossa cidade. Quanto nossa Arquidiocese deve a esse franciscano!

Por ser alemão, sofreu muito durante a Segunda Guerra Mundial: foi criticado, caluniado e injustiçado até por pessoas de quem se esperaria um mínimo de amor à verdade. Mais tarde, o país lhe fez justiça: foi naturalizado brasileiro (1949), tornou-se cidadão honorário da Bahia (1968) e seu nome foi dado a uma praça em Salvador.

Mas, por que chamar Frei Hildebrando de “Ananias” na vida de Irmã Dulce? Ainda jovem, ao conhecê-lo, Irmã Dulce o escolheu como orientador e confessor. Foi ele que a fez conhecer o carisma franciscano e que a introduziu no serviço de assistência social. Nos trabalhos pelo Reino de Deus, ela era o coração; ele, o cérebro. Ambos eram apaixonados pelo Evangelho e queriam dedicar-se aos necessitados; ambos sofreram (muito!) por Cristo.

Quando Irmã Dulce celebrou o jubileu de vida religiosa (1983), Frei Hildebrando afirmou publicamente: “Tu acreditas plenamente naquilo que Cristo um dia proclamou solenemente, em tom categórico: que ele se esconde no próximo necessitado!”

Obrigado, Frei Hildebrando, “Ananias” de Irmã Dulce!

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Fonte: Noticias da CNBB

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