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O perigo da globalização da indiferença

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira
Prelazia de Itacoatiara – Amazonas

 

A Palavra de Deus neste 26º domingo do tempo comum, alerta-nos contra o pecado da indiferença diante do sofrimento humano. Na primeira leitura, o profeta Amós fala em nome de Deus e nos adverte: “Ai daqueles que são despreocupados … não se preocupam com a ruína de José” (6, 1a. 6). No Evangelho (Lucas 16, 19-31), temos Jesus que nos conta a parábola do rico e do pobre Lázaro. O homem rico era indiferente às necessidades do pobre e enfermo Lázaro.

O Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia Mundial dos Migrantes 2019, fala-nos sobre uma “globalização da indiferença”. Foi essa indiferença que levou o homem rico ao inferno. O homem rico, do inferno, pede ajuda: “Pai Abraão tem pena de mim” (v. 24). Mas foi dito a ele que o tempo de mudar, de converter-se, é agora, quando estamos ainda neste mundo. Aproveitemos deste alerta de Jesus por meio desta parábola e avaliemo-nos diante de Deus, como estamos vivendo o amor, a solidariedade com os pobres e excluídos dos bens necessários para viver dignamente, onde vivemos e em outros lugares do mundo.

Devemos ser como Deus é, como nos apresenta o Salmo 145, Salmo Responsorial deste domingo: Deus faz justiça aos que são oprimidos, dá alimento aos famintos, liberta os cativos, ergue o caído, protege o estrangeiro, ampara a viúva e o órfão. Ou seja, nosso Deus é um Deus amor, Deus solidariedade.

Acolhamos, também, o convite de Paulo na primeira carta a Timóteo: “Foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza e a mansidão” (6, 11). Assim sendo e fazendo, ajudaremos a construir o Reino de Deus já neste mundo, tornando-o mais fraterno e bom de se viver.

Para o Dia Mundial dos Migrantes, que celebramos hoje, último domingo de setembro, o Papa Francisco escolheu o tema “Não se trata apenas de migrantes”. Este tema mostra nossas fraquezas e garante que ninguém deve ser deixado de fora da sociedade, seja ele um cidadão residente de longa data ou um recém-chegado.

Gostaria de transcrever parte da reflexão do Papa Francisco em sua mensagem:

  1. Não se trata apenas de migrantes: trata-se, também, de nossos medos. A violência e a maldade de nosso tempo aumentam “nosso medo” dos outros, dos desconhecidos, dos marginalizados, dos estrangeiros.
  2. Não se trata apenas de migrantes: trata-se de nossa humanidade. A compaixão toca as cordas mais sensíveis da nossa humanidade, causando um impulso urgente de “fazer-se próximo” de quem vemos em dificuldade.
  3. Não se trata apenas de migrantes: trata-se de não excluir ninguém. A “Igreja em saída” sabe tomar a iniciativa, sem medo de andar ao encontro, procurar quem está longe e chegar aos cruzamentos das estradas para convidar os excluídos.
  4. Não se trata apenas de migrantes: trata-se de colocar os últimos em primeiro lugar. E quantos últimos temos em nossa sociedade! Entre eles, penso, sobretudo, nos migrantes, com o peso das dificuldades e do sofrimento que enfrentam todos os dias na busca, às vezes desesperada, de um lugar para viver em paz e com dignidade.

A resposta ao desafio colocado pelas migrações de nossos dias, pode ser resumida em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Mas estes verbos não se aplicam apenas aos migrantes e refugiados. Expressam a missão da Igreja para com todos os habitantes das periferias existenciais, que devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados. Se colocarmos esses verbos em prática, contribuiremos para a construção da cidade de Deus e do homem, promoveremos o desenvolvimento humano integral de todas as pessoas e ajudaremos, também, a comunidade mundial a se aproximar dos objetivos do desenvolvimento sustentável que foram estabelecidos.

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Fonte: Noticias da CNBB

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