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Rumo ao Sínodo para Amazônia

Dom Benedito Araújo
Bispo de Guajará-Mirim 

 

 

A defesa da Amazônia sempre foi uma preocupação constante,  histórica e envolvente. Em 1952, os bispos da Amazônia se posicionaram sobre a missão da Igreja na Amazônia; a fala profética do Papa São Paulo VI afirmando que o “Cristo aponta para à Amazônia”, ressoou no Encontro de Santarém em 1972. Mesmo com a realização do vaticano II e a encarnação do mesmo através da Conferencia de Medellín, a questão da Amazônia parecia distante.

O Encontro dos Bispos de Santarém levantou prioridades pastorais fundantes da verdadeira identidade da Igreja da Amazônia: a encarnação na realidade e a evangelização libertadora.

Como pastores inseridos no chão amazônico, em 2016, os bispos da Amazônia, através de uma carta dirigida ao papa, manifestaram o desejo da realização de um Sínodo. A surpresa foi à prontidão do Papa Francisco convocando para a realização do mesmo e para isso uma ressalva importantíssima: “Cada Assembleia geral do Sínodo dos bispos é uma forte experiência eclesial, embora possa ser sempre aperfeiçoada nas modalidades dos seus procedimentos. Os bispos reunidos no Sínodo representam antes de mais nada as próprias Igrejas, mas tem em conta também as contribuições das Conferencias episcopais que os designaram fazendo-os portadores dos  seus pareceres sobre  as questões a tratar. Eles exprimem assim o voto do corpo  hierárquico da Igreja e, de algum modo, o do povo cristão de quem são os pastores” (São João Paulo II – EC 06).

Na preparação rumo ao Sínodo, a realidade crucial das queimadas e fumaças, em agosto de 2019, somente em duas semanas foram registrados 28 mil focos de queimadas, celebradas com o dia do fogo provocado pela “agressão violenta e irracional à natureza, à  destruição inescrupulosa da floresta que mata a fauna e a flora milenares com incêndios criminosos provocados”.

O Papa Francisco anunciou em outubro de 2017 em Roma o Sínodo para Amazônia.  Depois foi lançado oficialmente no dia 19 de janeiro de 2018, na Diocese de Puerto Maldonado – Peru, onde compareceram representantes de mais de 20 etnias indígenas de todos os países da Pam-Amazônia: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Chile, Suriname, Equador, Guiana, Venezuela, incluindo a Guina Francesa.

Esse encontro definiu os rumos de toda caminhada sinodal como afirmou o papa Francisco: “muito desejei este encontro, quis começar daqui a visita ao Peru. O reconhecimento destes povos – que não podem jamais ser considerado uma minoria, mas autênticos interlocutores, bem como de todos os povos indígenas, lembra-nos que não somos os donos absolutos da criação. É urgente acolher o contributo essencial que oferecem à sociedade inteira, não fazer das suas culturas uma idealização dum estado natural nem uma espécie de museu dum estilo de vida de outrora”.

Somando mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados, à Amazônia forma uma região de riquíssima biodiversidade, pluricultural e plurirreligiosa; essa gigantesca pluralidade exige defesa da vida com “mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos estados e principalmente da nossa Igreja”.

Dai a importância do Sínodo com o tema: “Novos caminhos para a Igreja e uma ecologia integral”. A pergunta fundamental é: Qual a nossa missão? Qual a missão da Igreja nesta realidade?

Neste contexto “o pecado manifesta-se hoje, com toda a sua força de destruição (…) nas várias formas de violência e abuso, no abandono dos mais frágeis, nos ataques contra a natureza”. (LS, n.66).  Desta forma o Sínodo é um olhar da Igreja, um olhar atento e cuidadoso que “se desenvolve ao redor da vida: a vida do território amazônico e de seus povos, a vida da Igreja, a vida do planeta” (IL 8).

É fundamental entender que o Sínodo é a continuação do alerta para o Cuidado da Casa Comum (Laudato Si).

A Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB e a Rede Eclesial Pan Amazônica – REPAM, dinamizaram e articularam todas as preocupações em vista da realização do Sínodo através de inúmeras assembleias, rodas de conversa, escutas, relatórios e outros, sistematizando o laborioso – Documento Preparatório – que num segundo momento resultou no Instrumento de Trabalho – Instrumentum Laboris.

Em todo este percurso o Papa Francisco sempre se preocupou com a pratica pedagógica da escuta e do diálogo como aspectos essenciais na caminhada sinodal considerando a particular importância da atividade missionária da Igreja. Inclusive a Palavra diálogo é citada 67 vezes no Instrumento de trabalho.

Ele também manifestou o desejo que os padres sinodais se reunisse todos, em cada pais da Pam-Amazônia num encontro pré-sinodal.

A REPAM e o CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) organizaram em setembro um seminário em Brasília – DF para o estudo do Instrumento de Trabalho.

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Fonte: Noticias da CNBB

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