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A Cruz missionária da ternura e do perdão

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos

A festa da Exaltação da Santa Cruz sempre se revestiu de esplendor e solenidade; para os cristãos orientais era quase comparável à Páscoa. Embora ela lembre a dedicação das Igrejas do Gólgota e Santo Sepulcro em Jerusalém, no ano 355, onde se encontravam relíquias do lenho sagrado, ela revela o mistério abismal do amor misericordioso de Deus que, para salvar-nos, enviou seu Filho para nos libertar pela Santa Cruz.

Nela, contemplamos a imensa ternura do Cordeiro manso e humilde que se sacrificou por cada um de nós, reconciliando-nos com o Pai, e nos tornando irmãos uns dos outros. A Cruz é símbolo da transcendência e um grito do absoluto de Deus na nossa vida, ensinando-nos que o pleno sentido da existência humana é a doação amorosa nas mãos do Pai.

Dela jorra a graça, a misericórdia e o perdão para a humanidade, neste trono de clemência e solidariedade somos resgatados na condição de filhos e nasce um novo povo e uma nova criação. Ela nos envia e nos remete a abraçar os crucifixos de sempre: os pobres, os idosos, os desempregados, os oprimidos, os doentes e esquecidos. Ela é o livro da vida que nos mostra o caminho da verdadeira santidade, servir e amar entregando-se por inteiro.

Mas, é também sinal da justiça restaurativa do Reino, que nos converte e justifica dando-nos um coração novo, fraterno e solidário. Num mundo dividido pela ganância e pela violência, a Cruz é testemunha de onde se encontra a unidade, a beleza e a verdade do ser humano, na sua capacidade de assumir com Cristo o projeto amoroso do Pai que transforma todas as coisas.

Preparando-nos para o mês missionário mundial especial, que convoca toda a Igreja para a evangelização ad gentes (rumo aos não cristãos), inter gentes (com todos os povos e culturas), como batizados e enviados, queremos reconhecer e aclamar a Cruz como fonte do amor e da esperança missionária que leva a compartilhar a fé como um ato de profunda alegria, reconhecendo em cada pessoa e cultura a presença das sementes do Verbo divino já semeadas pelo Espírito Santo, principal agente da Missão. Deus seja louvado!

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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