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A questão da urbanização, ponto presente no Sínodo da Amazônia

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá – PA

 

Não se pode ignorar o fenômeno da urbanização, como ponto importante a ser debatido no Sínodo da Amazônia, Outubro, em Roma. Como o Instrumento de trabalho ressalta apesar de que a Amazônia seja o pulmão do planeta (LS, n. 70), a região de muitas florestas e rios, no entanto a devastação da região e a pobreza provocaram um deslocamento da população do campo à cidade em vista de uma vida melhor ou provocados pela concentração de terras em mãos do agronegócio ou de grandes fazendas. É muito forte o fenômeno da urbanização na região amazônica, que faz da cidade uma realidade ambivalente. Segundo as estatísticas a população urbana na atualidade amazônica é de 70 a 80 % que reside nas cidades, índices que estão em consonância com aqueles do nacional.

Deve-se afirmar que o fenômeno da urbanização da população da Amazônia muitas vezes não dispõe de infraestruturas, nem de políticas publicas que favorecem, sobretudo os mais pobres e necessitados da sociedade. É importante a vida nas cidades, mas é também importante o estilo de vida configurado pela metrópole. São hábitos, costumes e formas de viver (IL, n. 72).

Os desafios urbanos têm referencia à ação pastoral, evangelizadora como a urbanização da pobreza, o aumento da violência, abuso e exploração sexual, prostituição, tráfico de seres humanos, sobretudo da mulher, drogas, armas, mobilidade humana, ineficácia dos serviços de saúde e de saneamento e muitas vezes corrupção administrativa (IL 73). Como o IL coloca é preciso trabalhar como Igreja ao incentivo universal à educação, à cultura, fomentar uma consciência ambiental, a reciclagem do lixo, discernir como ajudar a apreciar a vida rural, com alternativas de sobrevivência como a agricultura familiar, o cuidado com a vida em relação aos povos indígenas, do campo e da cidade (IL, n. 74).

Não se pode esquecer a comunidade na realidade urbana, a vivência da fé cristã, católica. O mundo urbano favorece a pluralidade religiosa. Percebemos na região amazônica o crescimento das igrejas evangélicas. Para isso necessitamos trabalhar as comunidades eclesiais missionárias no contexto urbano, como nos tem presentes as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. A conversão pastoral se apresenta como um desafio irrenunciável para que as comunidades eclesiais missionárias seja nos ambientes mais variados casas da Palavra, do Pão, da Caridade e abertas à Ação missionária. Elas possam crescer na fé, no fortalecimento da comunhão fraterna, no engajamento de seus integrantes e na renovação da sociedade. Pequenas comunidades são lugares de ambiente humano, de proximidade e confiança, lugares de ajuda mútua e inserção concreta nas mais variadas situações. Elas mantêm a comunhão com a Igreja Particular são lugares para o despertar da vocação do ministério ordenado e à vida consagrada. Muitas pessoas carecem da experiência da bondade de Deus. As pessoas não se acham nas estruturas de modo que um dos caminhos da evangelização são as pequenas comunidades eclesiais missionárias onde sobrevive a amizade, a adoração comunitária de Deus, onde as pessoas se encontram no âmbito da família, do trabalho da proximidade da Igreja à sociedade. Necessitamos um do outro. É uma prioridade da ação evangelizadora a formação de pequenas comunidades eclesiais missionárias em vista da conversão pastoral. Visa à participação de todas as pessoas, pessoas ordenadas e leigas para viverem a vocação, a missão, na comunhão e na solidariedade. São espaços para a iniciação à vida cristã, de formação sólida, integral e permanente, espaços para o crescimento espiritual, partilha da experiência de fé da fidelidade a Jesus Cristo e ao seu Evangelho (DGAE 2019-2023, ns. 33-37).

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Fonte: Noticias da CNBB

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