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O testemunho da família

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

 

Caros amigos, no último dia 26 de julho, celebramos São Joaquim e Sant’Ana, os avós de Jesus. É verdade que não conhecemos de sua história, o pouco que chegou até nós veio por meio de um texto não canônico, o Protoevangelho de Tiago, um evangelho apócrifo (um dos livros que não foram incorporados à Bíblia). Por este testemunho e pelo que nos disseram os Santos Padres, sabemos que o casal, Ana e Joaquim, obedientes aos desígnios divinos e com renovada esperança viram nascer de sua esterilidade a flor mais bela da estirpe de Davi, Maria Santíssima.

Mas podemos dizer, sem dúvida alguma, que Ana e Joaquim eram esposos exemplares que pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam ansiosamente o cumprimento da promessa de Deus a Abraão; a consolação de Israel (cf. Mt 13, 17).

A certeza sobre estas afirmações provém do testemunho deixado por sua filha, a jovem virgem de Nazaré. Como nos diz o Eclesiástico: os feitos de nossos antepassados poderão ser conhecidos pelo testemunho de sua geração (cf. Eclo 44, 10b-11).

Podemos imaginar o quanto Maria recebeu de seus pais que cumpriam diligentemente o seu dever de educadores. As representações artísticas da vossa padroeira fazem-nos intuir algo daquele que pode ter sido o relacionamento entre Santa Ana e Maria, também no que se refere à Palavra de Deus revelada. Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus.

O Papa Francisco ao refletir sobre a memória do Avós de Jesus diz que “São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu o amor a Deus, no calor da família, herdado por Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós. Vemos no testemunho dos avós de Jesus, o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé!” (Angelus, 26 jul. 2013).

Motivados pelo exemplo destes santos esposos somos impulsionados a sair da esterilidade de nosso batismo para sermos anunciadores de Jesus Cristo, como ramos fortes de uma Igreja em permanente estado de missão. Da mesma forma que Ana e Joaquim geraram Maria para o mundo, a Igreja tem a missão de gerar Cristo e fazer crescer o seu Reino de Paz, que tem como pilar de sustentação a Misericórdia, fruto da Verdade e da Justiça.

Infelizmente, um elevado número de jovens do nosso tempo está orientado para uma concepção da vida em que os valores éticos se tornam cada vez mais superficiais, dominados por um hedonismo imperante. O que mais preocupa é o fato de tantas famílias se dissolverem com tanta facilidade e normalidade, prejudicando o desenvolvimento e educação dos Filhos.

A celebração dos avós de Jesus, também nos faz lembrar dos idosos, que tem cada vez menos espaço na família e na sociedade. O Papa Francisco atento a esta realidade adverte: “Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado!”.

Tomemos, pois consciência do que nos disse a Epístola de São Pedro: “sois uma raça escolhi­da, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1Pd 2, 9), testemunhando o valor inegociável da família e de sua missão na construção de um mundo sem tantas desigualdades, onde sejamos irmãos na grande família que tem Deus por Pai.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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