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Discernimento sinodal

Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

O segundo ano do sínodo arquidiocesano é dedicado às regiões episcopais e vicariatos ambientais, para discernir sobre a situação da vida religiosa e pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Além dos numerosos elementos já recolhidos durante a fase paroquial do sínodo, em 2018, outros aspectos da vida e missão da Igreja, nos âmbitos supra paroquial e regional, são agora recolhidos, com a finalidade de fazer um discernimento sobre esses dados.

 Muitas perguntas acompanham esta fase da reflexão sinodal: Como estamos? O que revelam as informações recolhidas com a pesquisa de campo, o levantamento paroquial, as muitas respostas do povo nos grupos sinodais e nas assembleias paroquiais? Quais são as interpelações que nos vêm através das respostas recolhidas no processo sinodal do “ver-ouvir”? O que o Espírito de Deus está a dizer à Igreja de São Paulo neste momento de sua vida e história? Este é, portanto, um ano de discernimento, antes de passar, em 2020, a responder à pergunta: Que devemos fazer em nossa Arquidiocese para traduzir em novas práticas a “comunhão, conversão e renovação missionária”?

A pesquisa de campo sobre a situação religiosa e pastoral de nossa Arquidiocese contém muitas informações importantes que, agora, precisam ser analisadas, interpretadas e discernidas, para a melhor compreensão daquilo que significam para a missão da nossa Igreja. Muitas são as interpelações à nossa missão evangelizadora, que precisam ser acolhidas com ânimo sereno, mas atento e aberto aos apelos do Espírito Santo.

Quando se perguntou aos católicos, por exemplo, se alguma vez já pensaram em abandonar a Igreja Católica, as respostas foram: Não – 81,98%. Sim – 18,02% (pergunta 109 da pesquisa). Que significa isso para a nossa missão evangelizadora? Antes de tudo, revela que 18 de cada 100 católicos já tiveram a tentação de abandonar a Igreja. Por quais motivos? Por terem dúvidas sobre questões da fé católica, não se sentirem bem acolhidos e integrados, não terem sido tratados bem por alguém da comunidade católica, ou por terem sido assediados fortemente pelo proselitismo de algum grupo (pergunta 110 da pesquisa).

Isso requer respostas pastorais de nossa parte: acolhida e proximidade maior em relação ao nosso povo católico para ajudá-lo a superar suas dificuldades na fé e na sua relação com a Igreja, bem como maior formação na fé e na vida cristã. Pode haver motivos bastante simples, como o mau atendimento das pessoas por quem representa a Igreja, ou a falta de clareza sobre a fé católica. E a grande maioria dos católicos, que afirmou não ter tido essa tentação, precisa ser acompanhada com zelo pastoral para que permaneça firme na fé e persevere, mesmo nas dificuldades. Precisamos ajudar o povo católico a conhecer as razões de sua fé e a testemunhar esta fé com alegria. De qualquer maneira, esses dados são indicadores de atitudes pastorais, que merecem nossa atenção.

Interessantes são as respostas dadas à pergunta da pesquisa referente aos motivos pelos quais as pessoas continuam firmes na fé católica (n° 111), As respostas podiam ser 3 sobre uma lista de seis alternativas. “Porque nasci e cresci na Igreja Católica” (67,85%). “Porque ela me oferece a fé verdadeira e segura” (50,90%). “Por causa dos valores que a Igreja Católica defende e ensina” (42,85%). “Por causa de Nossa Senhora” (39,53%); “Por causa da Missa e da Confissão” (37,46%). Por outros motivos (5%) As respostas revelam a percepção daquilo que mantém as pessoas fiéis à Igreja Católica e os motivos que sustentam sua fé católica. A própria ordem de importância dada pelas pessoas a esses motivos é reveladora de posições ambivalentes. Se, por um lado, isso mostra aspectos que devemos cultivar adequadamente, revela também carências, que precisam ser devidamente sanadas, para que as pessoas cresçam na fé e aprofundem sua relação com a comunidade católica.

Diversas questões vão ficando mais e mais evidentes na reflexão sinodal. Entre elas, destaca-se que o povo paulistano ainda possui na Igreja Católica uma forte referência para sua vida; essa referência, porém, vai sendo diluída mais e mais, na medida em que as novas gerações não são adequadamente alcançadas pela ação eclesial que lhes dê formação, identificação com a fé católica e na medida em que a comunidade católica não envolve e acolhe as pessoas no seu convívio e cuidado pastoral. Que devemos fazer? Qual é a pastoral do futuro que nossa Arquidiocese deverá desenvolver?

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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