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JMJ 2013: o exemplo de uma juventude com sede do Evangelho

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Alguns acontecimentos marcam a vida dos jovens de maneira decisiva. A visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro, na Jornada Mundial da Juventude em 2013, arrastou milhões de peregrinos ao Rio de Janeiro. Das lembranças mais intensas, recordo-me dos rostos juvenis ávidos pelas palavras e testemunho indeléveis do nosso amado Papa Francisco que se desdobrou em generosidade e proximidade com os peregrinos e com os habitantes de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. O exemplo de humildade, caridade e fé comoveu brasileiros de diferentes credos, idade e cultura, que se emocionaram e experimentaram a verdadeira presença do Cristo Vivo durante uma intensa semana.

A JMJ 2013 deixou um legado que tem proporcionado muitos frutos que a cada ano se renovam. Quantas vocações nas paróquias e dioceses do País, seja para a vida de missão, de catequese, dos trabalhos mais variados, foram despertadas naquele ano! Nós louvamos a Deus por essas vocações que mantêm viva a Igreja que caminha de modo permanente. Tenho rezado de modo especial pelo crescimento diário da unidade da Igreja, pela manifestação do amor de Deus simbolizado no coração de Jesus ao mundo de hoje, e guardo no coração os acontecimentos à luz da fé. Quantos jovens protagonistas pelo mundo afora. Nesta semana mesmo escutei um novo depoimento de um grupo de jovens que surgiu na JMJ Rio 2013 e que trabalha com jovens universitários na Espanha. Na semana passada alguns padres da Arquidiocese testemunhavam as alegrias de receber os peregrinos em suas paróquias, mesmo que com isso não pudessem participar dos eventos.

Ao comemorarmos o 6º ano da visita do Pontífice e da JMJ, reafirmamos o nosso compromisso com o Evangelho. Da Missa de abertura à Missa conclusiva, em Copacabana, vivemos o mistério extraordinário da fé presente nos corações de mais de três milhões de pessoas, jovens na maioria, vindas de 180 Países, autoridades, religiosos, bispos, cardeais, padres, seminaristas, voluntários, que fizeram história em um momento histórico para a Igreja Católica. Uma mobilização que modificou a essência de jovens e idosos, dialogando entre gerações em temas fundamentais como a defesa da vida, a tragédia das drogas, da violência, entre tantos outros. “Um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre negativa. A utopia é respirar e olhar adiante”, discursou Francisco diante de uma multidão extasiada.

O diálogo que se seguiu naqueles dias simboliza a essência da Igreja: inclusiva em seus princípios, vigilante na oração e uma liderança frente às mudanças necessárias em nossa sociedade. O convite do Papa aos jovens “a saírem às ruas para expressar seu desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens querem ser protagonistas da mudança. Por isso, os animou, com base nos valores do Evangelho, a superar a apatia e a dar uma resposta cristã às inquietudes sociais e políticas”.

Não nos esqueçamos que o legado da fé cristã deixou, também, aspectos materiais para a cidade e seus trabalhadores. Considerando que mais de dois milhões de cristãos visitaram o Rio de Janeiro durante a JMJ, um movimento econômico estimado em R$ 1,2 bilhão, a presença de seis mil jornalistas de mais de 70 países, um recorde de público e uma repercussão positiva mundial, louvamos o impacto positivo deixado no Brasil.

Mais do que recordar, quero agradecer pelo dom da vida, pela Jornada da Juventude e pela semente que foi plantada em nosso País que já frutifica em nossas paróquias e dioceses. Agradeço a todos os protagonistas desses intensos momentos! Sei dos sacrifícios feitos mas sei das alegrias com que foram realizados. As últimas palavras ditas pelo Pontífice, antes retornar ao Vaticano, foram: “Nesse momento, já começo a sentir saudades. Saudades do Brasil, deste povo de grande coração, deste povo tão amoroso. Este Papa precisa da oração de todos vocês. Um abraço para todos e que Deus os abençoe”.

Também sentiremos saudades por longos anos da fé contagiante com sotaques de Norte a Sul do País, da energia envolta nos corpos de todas as idades, das músicas incessantes, das orações vigilantes, das celebrações Eucarísticas repletas de amor verdadeiro, da união por Cristo, com Cristo e em Cristo! Ao fazer memória de tão belos acontecimentos pedimos que sempre estejam vivos os propósitos e experiências evangelizadoras que vivemos nesses abençoados dias.

Que os Patronos da JMJ 2013, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, São Sebastião, Santo Antônio de Santana Galvão, Santa Teresa de Lisieux e São João Paulo II, mantenham acesa a chama da nossa fé, para podermos, com toda a realidade que nós temos, perceber esse amor de Deus presente em nossa existência ontem, hoje e sempre. Amém!

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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