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O Espírito, à Igreja de São Paulo

Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de S.Paulo

 

Realiza-se, no mês de julho, a segunda sessão da assembleia do sínodo nas Regiões Episcopais. O objetivo é avaliar amplamente a situação religiosa e a vida da Igreja em cada uma das seis Regiões ou Vicariatos Episcopais para fazer um diagnóstico da realidade eclesial em toda a Arquidiocese.

A partir da tomada de consciência sobre os avanços e desafios missionários e pastorais, será possível, depois, passar às indicações do sínodo para a realização, de maneira mais eficaz, do caminho de comunhão, conversão e renovação missionária. O fruto do sínodo não deverá consistir, apenas, em fazer “mais do mesmo”, mas numa verdadeira “conversão missionária”, como se faz necessário.

O texto da Escritura indicado para a preparação desta segunda sessão da assembleia regional do sínodo é o da admoestação dirigida à Igreja de Laodicéia, do Apocalipse (Ap 3,14-22). No final do primeiro século, essa comunidade já estava “morna”, sem entusiasmo nem vitalidade; mas gloriava-se, achando que era autossuficiente e não precisava de nada. Talvez tinha perdido até mesmo a sua identidade cristã e a referência a Jesus Cristo. Era uma comunidade sem vigor missionário, nem testemunho de fé e de boas obras. E aí, a Palavra ameaça: “porque és morno, nem frio, nem quente, estou para vomitar-te da minha boca”. E recomenda à comunidade de Laodicéia que seja humilde e tome consciência de sua miséria e cegueira, converta-se e volte para Deus, acolhendo os dons que dele procedem, abrindo os olhos à luz de Deus, para enxergar as coisas como elas são.

O texto é um forte chamado mudança de atitude e à conversão a Deus: “eu repreendo e educo a quem eu amo. Sê zeloso, portanto, e arrepende-te!” O Espírito Santo pede que a comunidade abandone a própria autossuficiência, deixe de ficar centrada em si mesma, não seja “auto referencial”, para usar uma expressão cara ao Papa Francisco, olhe para si mesma com um olhar de fé pura e se volte de coração humilde e sincero para o Senhor da Igreja e centro da vida dos discípulos.

O desafio é superar o desânimo, o “mundanismo” e a esterilidade de frutos de fé, esperança e caridade, para ser uma comunidade renovada na fé e nas obras. O belo é que a comunidade pode sempre contar com a graça de Deus para se renovar na vida e missão, bastando colaborar com a graça de Deus: “eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa e tomarei refeição com ele e ele comigo”.

A questão fundamental do nosso sínodo também é abrir-nos para Deus de maneira renovada, ouvindo sua voz, que ressoa na Palavra da Escritura e da Igreja, na voz do povo e das circunstâncias do tempo presente. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas” (Ap 3,22). O que o Espírito Santo está a dizer à nossa Igreja, em São Paulo? O que nos diz através das respostas da pesquisa de campo, feita de maneira meticulosa em todas as paróquias da Arquidiocese? Através dos levantamentos feitos pelos padres em todas as paróquias? Ou ainda, através das respostas dos grupos sinodais, que se reuniram nas paróquias ao longo de todo o ano passado? O que os Espírito Santo nos fala através dos grupos eclesiais que fizeram a avaliação da sua atuação nos mais diversos âmbitos sociais e eclesiais nas Regiões Episcopais?

Partindo das constatações feitas pela pesquisa de campo, devemos perguntar-nos o que significa a diminuição generalizada de batizados, confissões e casamentos em nossas paróquias? Ou a percepção de que muitos irmãos católicos não participam em nada da vida da Igreja, estando em perigo iminente de perder a fé e a vinculação com a Igreja? O que nos quer dizer o Espírito Santo pela voz daqueles que abandonaram a nossa comunidade católica por não se sentirem bem acolhidos nela? E perguntemo-nos também: o que o Espírito Santo nos diz através dos quase 18% dos atuais católicos que, no passado, não eram católicos e hoje participam da nossa Igreja? Em cada resposta recolhida pela pesquisa podemos “ouvir o que o Espírito diz à Igrejas de São Paulo”.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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