CNBB

Assembleia dos bispos 2019

Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo de Mogi das Cruzes

 

A 57ª. assembleia geral anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, realizada em Aparecida, no início de maio, foi, como todos os anos, um momento forte de unidade, comunhão, amizade e colegialidade entre os pastores do povo católico do Brasil. Os meios de comunicação repercutem para a sociedade brasileira o que lá acontece. São dez dias marcados por momentos fortes de oração, trabalho e convivência. Renovados por essa profunda experiência de fraternidade e alegria, os mais de trezentos bispos saem fortalecidos para prosseguir sua árdua missão e seu compromisso de servir do povo de Deus.

A difícil conjuntura social e política do Brasil, os anseios de cada cidadão brasileiro e sua família, preferencialmente os mais pobres, nada disso escapa ao pensamento e ao olhar dos bispos, “tomados pela ternura de pastores que amam e cuidam do rebanho” (cf. mensagem ao povo brasileiro).

Os bispos aprovaram o texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, para o período de 2019-2023, com o objetivo de “Evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus, rumo à plenitude”.

O objetivo aponta tanto os aspectos sociais das diretrizes – o mundo urbano, os pobres, a casa comum ou meio ambiente – quanto os aspectos eclesiais: anúncio da palavra de Deus, as vida comunitária, a edificação do Reino de Deus. O texto identifica a Igreja e cada comunidade eclesial usando a imagem da casa. Afirma que “a comunidade eclesial autêntica é missionária”, pois “tende a gerar novas comunidades” (Diretrizes, 7). E ressalta que “a comunidade eclesial missionária é sustentada por quatro pilares: Palavra (iniciação à vida cristã e animação bíblica), Pão (liturgia e espiritualidade), Caridade (serviço à vida plena) e Ação Missionária (estado permanente de missão).

Houve eleições. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, foi eleito presidente da CNBB. Foram escolhidos os presidentes das doze comissões episcopais pastorais: Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; Laicato; Ação Missionária e Cooperação Intereclesial; Animação bíblico-catequética; Doutrina da Fé; Liturgia; Ecumenismo; Ação Sócio-transformadora; Educação e Cultura; Comunicação; Vida e Família; Juventude.

Na análise da conjuntura sócio-política, a economista Dra. Tânia Bacelar afirmou que o ambiente mundial está marcado pelo avanço da financeirização, em detrimento da esfera produtiva. Vive-se numa época de relevantes transformações, uma verdadeira mudança de era, com a consolidação de novos paradigmas técnicos próprios da era digital.

Preocupante é o crescente desemprego, que atinge o patamar de 13 milhões de brasileiros, assustador é o nível insuportável de violência que se espalhou pelo País, inaceitável é todo tipo de discriminação, preconceito e ódio. A crise ambiental exige esforço para ampliar a consciência ecológica, buscar o desenvolvimento sustentável e avançar rumo a um novo modelo energético. O Brasil do início do Século XXI é marcado pelo fenômeno da migração em massa e o avanço da nova dinâmica demográfica causada pelo envelhecimento, isto é, a crescente longevidade da população.

O início deste século apresentou uma janela de oportunidade proporcionada pelo bom momento na dinâmica econômica. Trata-se da janela das commodities, as políticas assistenciais e o aumento do salário mínimo. O momento atual é marcado por uma exacerbação do liberalismo. Contudo, não dá para ter liberalismo radical num país com tanta desigualdade. As reformas e o ajuste fiscal não podem ser feitos às custas do sacrifício dos mais pobres. Devem sim serem feitos com mais progresso social.

A Igreja acredita, anuncia e dá testemunho dos valores do Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor. São valores sólidos e perenes que possibilitam construir “uma sociedade cujo desenvolvimento respeite as diferenças, incentive os jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida humana e respeite a natureza” (cf. mensagem ao povo brasileiro).

Com base em seu arcabouço histórico, cultural, religioso, moral, civilizacional e institucional, e nos valores que defende, transmite e testemunha, a Igreja colabora na formação da consciência e da cidadania. Tais valores defendidos pela Igreja são necessários para a edificação de uma sociedade democrática, alicerçada na justiça e na paz.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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