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Pontos importantes no Documento Final do Sínodo sobre os jovens

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

Temos em mãos o documento final do Sínodo dos Bispos sobre os jovens cujo tema foi: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. O texto é muito importante de ser analisado porque tem a introdução, o prefácio e três partes com quatro capítulos em cada parte, e conclusão. A Introdução tem presente o evento sinodal, que é graça do Espírito Santo para todos os pastores e para toda a igreja. Coloca também a diferença do Documento Instrumentum Laboris, que foi o resultado de dois anos de escuta enquanto o Documento Final que foi fruto do discernimento realizado nos núcleos temáticos geradores e os Padres sinodais trabalharam com intensidade e entusiasmo. Um texto bíblico que ilumina todo o documento refere-se ao encontro do Cristo Ressuscitado com os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

A Parte I tem presente do Senhor Jesus que “pôs-se a caminhar com eles” (Lc 24,15). Jesus caminhou com os dois discípulos e escutou as expectativas, frustrações para depois dar-lhes um novo ânimo. A Igreja deve colocar-se numa atitude de escuta com os jovens. Os jovens querem ser escutados, porque expressam o desejo do reconhecimento, do acompanhamento. Os bispos, os sacerdotes, bem como leigos e leigas devem se colocar numa atitude de escuta para com os jovens. A Igreja possui um trabalho muito importante na educação onde tem orientações religiosas, sociais e educacionais, contribuindo na formação dos jovens nas mais diversas partes do mundo. As paróquias tornam-se lugares importantes para os jovens e a sua vocação missionária que deve ser incentivada e amada. Entra aqui também os seminários que são lugares importantes para os jovens chamados ao sacerdócio e à vida consagrada, para que assim se aprofunde a sua escolha vocacional e amadurecem no seguimento a Jesus Cristo. Existem também desafios e esperanças para os jovens de hoje como o ambiente digital no qual este dado faz parte da vida cotidiana, na expressão de Bento XVI. O texto fala que o ambiente digital é também território de solidão, manipulação, exploração e violência. O fenômeno das fake news é expressão de uma cultura que perdeu a verdade e satisfaz interesses particulares de modo que tudo isso diz respeito á vida da Igreja. Um ponto que deve ser visto também pela comunidade eclesial é a questão dos migrantes, que é um fenômeno pluriforme, fatores que podem ocorrer dentro do próprio pais por causa da guerra, violência, perseguição política ou religiosa, mudanças de clima, pobreza e muitas dessas pessoas são jovens de modo que a Igreja desempenha um papel importante de referencia para os jovens dessas famílias, muitas vezes atingidas pela fragmentação. A igreja seja protagonista no acolhimento dos migrantes nas comunidades onde irão residir. Outro dado importante refere-se à identidade e relações onde se tem presentes a família, a importância da maternidade da paternidade. É fundamental o compromisso dos pais e educadores na transmissão de valores, apesar das dificuldades do contexto cultural. A família exerce um sentido importante na vida e na transmissão de valores para os jovens. No entanto muitos jovens vivem em situação de violência, seqüestro, crime organizado, escravidão e outros jovens, por causa da fé, sofrem vários tipos de perseguição até a morte. É claro que tudo isso interpela a Igreja. O texto ainda coloca nesta primeira parte as características dos jovens que são portadores de traços específicos, com compromisso e participação social a busca religiosa e o encontro com Jesus, e querem uma liturgia viva para levar outros jovens a ter uma experiência com Deus e anunciá-la a todos.

A parte II parte tem presente o texto bíblico: os olhos deles se abriram (Lc 24, 31). Almejamos um novo Pentecostes para que a Igreja esteja ao lado dos jovens e por sua vez os jovens vivam os compromissos na família, na comunidade e na sociedade. Os jovens são um dom, graça de Deus. Jesus é o jovem entre os jovens. Deus fala através dos jovens. Uma das características dos jovens é o desenvolvimento de sua personalidade, de escolhas, e projeto de vida. É claro que o vinculo com a família é fundamental onde ele começa a discernir a sua vocação. Tudo deve ser decidido na liberdade com responsabilidade. É preciso dizer que a vocação é uma graça, porque é sempre Deus quem chama as pessoas. O seguimento a Cristo Jesus deve levar o jovem se encantar por Ele, pela sua vida e doação. Um exemplo no seguimento a Cristo Jesus é Maria, a primeira discípula de Jesus, modelo de todo o discipulado. Temos uma variedade de carismas que o texto coloca como a família, o ministério ordenado, a vida consagrada e a condição de solteiro, de leigo e de leiga a serviço da Igreja e do Reino de Deus. O crescimento vocacional do jovem é dado também pelo acompanhamento comunitário, em grupo, espiritual e pessoal. Este acompanhamento é dado também junto ao sacramento da reconciliação, na qual o jovem deve ter a noção do pecado e que se abra à alegria libertadora da misericórdia divina. É claro que o acompanhamento deve ser integral no sentido na formação para o ministério ordenado, vida religiosa, e à vida matrimonial. O discernimento possibilita ao jovem à realização da Vontade de Deus. O discernimento é uma forma de oração. Ele se faz no encontro com o Senhor, nos sacramentos, na eucaristia e na reconciliação, na meditação da Palavra de Deus, na vida comunitária, em vista da assunção de uma vocação com alegria e com amor.

A parte III tem presente o texto de Lucas onde os discípulos voltaram para Jerusalém (Lc 24,33), porque se encontraram com o Senhor ressuscitado ao longo do caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão (cf. Lc 24,32-35). O texto fala da missão que é dada na comunidade. Buscamos uma igreja jovem na qual quer alcançar os jovens num caminho de ressurreição que conduz ao anúncio e à missão. Os jovens devem se apaixonar pela beleza do Senhor. Para isto é preciso conversão espiritual, pastoral e missionária. Esta parte fala bastante da sinodalidade missionária da Igreja, nos quais os jovens pedem dos pastores e de todos um caminho em conjunto. O Sínodo dos jovens deverá ser acolhido pelas conferências episcopais, igrejas particulares para que o discernimento seja um fato na vida dos jovens. A vida sinodal da Igreja é orientada para a missão para que Deus seja tudo em todos (cf. 1 Cor 15,28). Será fundamental ir às periferias do mundo nos quais os pobres estão presentes para a evangelização e para sermos evangelizados. Algumas estruturas necessitam de renovação no sentido da missionariedade como a paróquia, a vida comunitária, a catequese, a centralidade da liturgia em Cristo Jesus os serviços comunitários devem influenciar à missão. Haja uma pastoral juvenil na ótica vocacional e que toda a pastoral tenha uma animação vocacional. A dimensão missionária olhe com carinho os migrantes, a valorização da mulher na comunidade eclesial. Os jovens mantém um dialogo ecumênico em vista da unidade entre as comunidades cristãs separadas. Será preciso também a formação de discípulos missionários nos jovens para o seguimento a Jesus Cristo, na parte do discipulado e da missão, a doutrina, os dogmas e a liturgia. Será fundamental o acompanhamento aos jovens no matrimônio, a formação de candidatos ao ministério ordenado seguindo as normas da Igreja, em visa da superação do clericalismo e do autoritarismo. O que importa é a formação em vista do serviço em Cristo e na Igreja. É evidente que os jovens deverão manter contato com as famílias, as comunidades, a inserção dos jovens no caminho do sacerdócio deverá ter presente o cuidado pastoral, e o discernimento que seguirá o percurso formativo na ótica da experiência e da comunidade em Cristo Jesus.

O documento conclui fazendo um chamado a vida de santidade para todas as pessoas porque todas as vocações devem ter como fim a vivência da santidade, sabendo que Deus nos quer santos e santas e espera de nós como nos fala o Papa Francisco, a superação de uma vida medíocre, superficial e indecisa (cf. GeE. n.1). A santidade é graça de Deus, na qual tem a sua fonte no Pai, por meio do seu Espírito, e enviou-nos Jesus Cristo, o Santo de Deus (cf. Mc 1,24). Somos chamados à santidade para que outros jovens possam sê-lo. Os jovens pedem de nós a santidade. Devemos dar o testemunho em vista da santidade de vida, para que a conversão ocorra em nossas vidas e na Igreja, porque a santidade é o rosto mais belo na Igreja (cf. GeE, n.9). O Sínodo quer apresentar e afirmar o ponto que os jovens são parte integrante da Igreja. Foi edificante o testemunho dos jovens durante o Sínodo perseguidos muitas vezes por causa de Cristo Jesus e da Igreja. A igreja renova o seu vigor apostólico por meio da santidade dos jovens e de todos. Temos um documento muito importante na vida de nossas igrejas particulares, paróquias, comunidades para ser analisado, aprofundado e darmos incentivo à vida dos jovens na fé, no discernimento e na missão. O Senhor Deus seja louvado pela vida dos jovens e como Igreja possamos trabalhar juntos na construção do Reino de Deus aqui e agora e um dia na eternidade.

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Fonte: Noticias da CNBB

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