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A vitória após a morte

Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Estamos na semana da Páscoa, maior festa do calendário cristão, celebração da gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo, a sua vitória sobre o pecado, sobre a morte e sobre a aparente derrota da Cruz. Cristo ressuscitou glorioso e triunfante para nunca mais morrer, dando-nos o penhor da nossa vitória e da nossa ressurreição. Choramos a sua Paixão e nos alegramos com a vitória da sua Ressurreição. Para se chegar a ela, para vencer com ele, aprendemos que é preciso sofrer com ele: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). A morte não é o fim. O Calvário não foi o fim. Foi o começo de uma redenção, de uma nova vida. A Páscoa é, portanto, a festa da alegria e a da esperança na vitória futura.

E hoje é dia de São Fidélis, grande mártir capuchinho, em cuja honra foi construída a cidade de São Fidélis, minha terra natal. Nascido em Sigmaringa, Alemanha, doutorou-se em Filosofia e Direito na Universidade de Friburgo, exerceu com distinção e integridade a advocacia, mas, sentindo-se chamado por Deus, doou os seus bens ao seminário e entrou na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos. Grande pregador e missionário, foi enviado a combater os erros do calvinismo, na Suíça. Lá sofreu o martírio pela fé, assassinado por um grupo de calvinistas, em 24 de abril de 1622, aos 45 anos de idade. Foi canonizado em 1745.

Em 1781, os índios Coroados, que habitavam as margens do Rio Paraíba, no aldeamento chamado Gamboa, que já conheciam o cristianismo, pois haviam se desmembrado da tribo dos Goytacazes, pediram missionários para catequizá-los. Foram-lhes enviados Frei Ângelo de Lucca e Frei Vitório de Cambiasca que, com os índios, edificaram a aldeia e a belíssima Igreja em honra do seu confrade recém-canonizado, São Fidélis, mártir da fé.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,10). Esta é a oitava bem-aventurança, com as quais Jesus começou o seu “sermão da montanha”, resumo do seu Evangelho. Assim, a perseguição e o martírio se tornaram uma característica dos seus discípulos e sempre estiveram presentes na Igreja, desde os primórdios.

O escritor Andrea Riccardi, professor de história contemporânea na Universidade de Roma, teve acesso aos arquivos do Vaticano sobre a perseguição aos cristãos no século XX e lançou o livro “Eles foram mortos por causa de sua Fé”, de 455 páginas impressionantes sobre o martírio recente e atual dos católicos em todo o mundo. Impressiona a descrição do “holocausto” cristão no Nazismo, no Comunismo, nas terras de missões, no México, na Espanha, na África, etc. Além dos mártires da Fé, temos os mártires da caridade, da pureza e da justiça. Entre os 12.818 mártires, temos 4 cardeais, 122 bispos, 5.173 padres diocesanos, 4.872 religiosos, 159 seminaristas, além de centenas de leigos. É realmente a visão do 3o segredo de Fátima: o Papa caminhando sobre os cadáveres dos cristãos mártires que tombaram, vitoriosamente, pela sua Fé.

Feliz e Santa Páscoa para todos, alegres na esperança de Jesus Cristo vitorioso!

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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