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As políticas públicas e os padres da Igreja

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

A CF 2019 está sendo muito bem aceita em todos os setores de nossas comunidades e da sociedade pois, fala das políticas públicas. É um tema importante para a vida de todas as pessoas no período da Quaresma que nos prepara à Páscoa do Senhor, ajudando a todas as pessoas num processo de conversão pessoal e comunitária. Versando sobre as políticas públicas estimula a todas as pessoas para que se engajem nos conselhos, na busca do bem comum, na comunidade e na sociedade à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para que todos tenham vida digna, assim como o Senhor deseja de todos os seus filhos e filhas. Tratam-se de ações governamentais em vista do bem para todos como a saúde, a educação, a previdência, as estradas, a vida das pessoas do campo e da cidade.

Ora um destaque especial está sendo dado aos padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos na elaboração da doutrina teológica, trinitária, cristológica, mariana entre outras doutrinas formuladas por eles. De fato, como diz o texto, os padres da Igreja se preocuparam no cuidado com os pobres, doentes, pois tudo isso era expressão do seguimento de Jesus. Eles também conheceram de perto a opressão dos poderosos, a usura impositiva, o frio tocando os ossos dos pobres, nas noites frias e manhãs de inverno.

São João Crisóstomo, Bispo no século IV, século V percebeu a tragédia humana, de modo que nem por baixos salários eram contratados as pessoas no inverno. Ele uniu a honra de Cristo dada na liturgia e a honra dada a Cristo no pobre que deveriam andar juntas que era bom sempre lembrar que sob o olhar de um pobre há também um altar, pois não se podia deixar de comungar do corpo de Cristo na eucaristia e percebê-lo de fome na porta das igrejas. Encontramos ótimas referencias na Homilia 50, sobre Mateus de São João Crisóstomo se a gente quer honrar o corpo de Cristo, não deve ser desprezado quando nu; não se pode honrá-lo dentro da igreja com vestes de seda e seja abandonado fora no frio e na nudez, com aflição. Pois é o mesmo Senhor que disse: Isto é o meu Corpo e que falou: estava com fome e me destes de comer (cfr. Mt 26,26; 25,35). Vemos a necessidade de que a fé vá junto com a vida e se faça obras de caridade.

São Gregório de Nazianzeno falava aos governantes para que praticassem sempre o bem e nada que fosse indigno o impulsionasse no seu cargo. Ele afirmava tão bem desses argumentos, que para ganhar a bondade do Pai, não ocorrem discursos complicados ou bonitos, mas a vida, a o amor de verdade a Deus, ao próximo como a si mesmo.

Santo Ireneu afirmava que o poder dos governantes era a pratica do bem, do amor com as pessoas. Decorria disso a necessidade de cuidar da criação. O Verbo de Deus revela o Deus criador pelo mundo, pela criatura plasmada, o artífice que a plasmou; e pelo Filho, o Pai que o gerou. Ele realçava a importância da eucaristia para viver bem em vista da ressurreição. O pão que vê da terra, quando recebe a invocação de Deus, já não é mais pão comum, mas a eucaristia, feita dos elementos terreno e celeste. Desta forma os nossos corpos ao receberem a eucaristia já não são corruptíveis, mas possuem a esperança da ressurreição.

Santo Ambrósio tinha presente às coisas de que tudo deve ser útil para a comunidade e assim para ser benéfico a todos. O culto agradável a Deus é a justiça dada para com os pobres, miseráveis, o direito em relação aos oprimidos. O fiel não pode prestar culto ao Senhor e ignorar o irmão que está na necessidade e Deus não poderá ouvir a oração daquele que não escuta o grito do pobre. Pela prática do bem, Cristo refulgirá em nós. É o fulgor eterno das mentes que o Pai enviou à terra para que em seu rosto resplandecente contemplemos as realidades eternas e celestes, nós que antes estávamos presos na escuridão. No entanto pelo amor demonstrado aos irmãos mais necessitados encontramos a face do Senhor presente neles.

Santo Agostinho realça a importância de seguir a Jesus, na sua própria vocação. É preciso renunciar a si mesmo, não se vangloriar, tomar a cruz de cada dia e estar ligado ao amor de Cristo para assim suportar as injurias, as perseguições por causa de Cristo Jesus. É preciso amar aquele não ilude, nem engana; é verdade tudo aquilo que diz e promete. É preciso a perseverança, tomar a cruz de cada dia e seguir a Cristo, hoje e sempre, para assim ter um dia a vida eterna, como dom e graça de Deus.

São válidas as considerações dos padres da Igreja no sentido da relação entre eucaristia e exigência de justiça social para perceber a dimensão da ética e da caridade na liturgia e a partilha com os pobres, pontos inerentes na eucaristia, presença de Cristo Jesus para a vida eterna. Os Padres da Igreja são objetivos, na relação fé e vida, de modo que é preciso levar uma vida conforme o evangelho de Cristo Jesus e à sua Igreja. As alusões em relação às políticas públicas, como a educação, saúde, família, comunidade, tem o seu fundamento sobre a palavra de Cristo Jesus, das Escrituras Sagradas e também dos Padres da Igreja,

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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