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A Quaresma está chegando e uma palavra de São Leão Magno

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá – PA

 

Iniciamos um tempo novo na vida da Igreja: a quaresma, cujo significado é 40 dias e quarenta noites em preparação à Páscoa do Senhor. Há toda uma simbologia em relação aos 40 dias no AT, mas, sobretudo lembra os 40 dias de Jesus, jejuando no deserto, na qual vence Satanás no poder, no prazer e no ter, colocando acima de tudo o plano de salvação de Deus para a humanidade. A quaresma não pode ser pensada fora da Páscoa. Na caminhada quaresmal vamos ao encontro da ressurreição do Senhor e nossa. A Quaresma inicia-se com a quarta-feira de Cinzas; por causa da mobilidade da Páscoa também a quaresma varia de ano para ano. É um dia de jejum e de abstinência de carne. A quaresma termina às portas do Tríduo Pascal. Nos primeiros séculos do cristianismo este tempo caracterizava-se pela preparação final dos catecúmenos que durante a vigília pascal receberiam o batismo, eram crismados e recebiam a eucaristia. Este tempo é marcado pela conversão, volta para Deus e para o irmão, tempo de caridade e de amor. Iniciamos também neste período na vida da Igreja no Brasil a CF 2019 que versa sobre Fraternidade e Políticas Públicas e o seu lema: Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1,27).

Leão Magno, Papa do século V e Padre da Igreja, exortava os seus fiéis no sermão de número 59, para se prepararem bem para a Páscoa, justamente pelo período da quaresma. Um dos exercícios quaresmais é o jejum para a purificação e o bem que se pode fazer ao outro. É o período na vida da Igreja e no mundo para a conversão de vida, de volta para o Senhor, ao irmão e a todos. É o período para a superação do mal, do demônio porque se percebe a necessidade de rezar mais, de amar mais a Deus e aos irmãos e irmãs, de superar o pecado pessoal e original que não são obstáculos para ninguém porque a justificação é atribuída não pelos méritos, mas é concedida pela liberalidade da graça, em Cristo Jesus. É o período da penitência, da aproximação do sacramento da reconciliação aonde os pecados pessoais são lavados pelo sangue de Cristo, através do sacramento do perdão. É o período que a humanidade segundo Leão Magno se aproxima da Paixão do Senhor e o poder de satanás é derrotado pelo poder da cruz que no Cristo, isento de todo o débito em relação à morte, foi à salvação do mundo e não a pena do pecado. Será importante que cada um de nós, dizia o Papa que ponha o seu comportamento na balança dos sacramentos divinos para assim fazer as coisas que agradam a Deus e também è edificação da Igreja e do mundo.

A quaresma será um período de revestimento de sentimentos de perdão aos outros e a Deus, porque dizemos no Pai Nosso perdoai nossas ofensas como nós perdoamos aos nossos devedores, aqueles que nos tem ofendido. Na realidade não sejamos difíceis de perdoar, porque diante de nós, está o apetite da vingança como a doçura da indulgência. Possamos dar o perdão, assim como Deus perdoa as nossas ofensas de modo que sejamos perdoados, é o que nos pede o Senhor no Pai Nosso.

É importante dizia também Papa Leão Magno no seu sermão que sejam abandonadas as discussões, as discórdias, os ódios porque não se toma parte na festa pascal, se negligenciarmos o restabelecimento da paz fraterna. Poderemos ser contados no número dos filhos de Deus, se ajudar os outros. Aquilo que foi tirado de seus prazeres, através do jejum, seja aplicado em favor dos mais fracos e indigentes. Todos bendigam a Deus e o que dá uma parte de sua riqueza saiba que é ministro da misericórdia divina, que pôs nas mãos do doador a parte do pobre, de modo que os pecados lavados pelas águas do batismo, ou do sacramento da penitencia, sejam apagados pelas esmolas de modo que a Palavra da Escritura se realize pela importância de ajudar o outro, nas suas necessidades porque é a ajuda ao próprio Senhor Deus na pessoa do necessitado e do pobre. Vivamos bem a CF e a Quaresma em preparação à Páscoa do Senhor Jesus Cristo e à sua Igreja.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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