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Amar para superar as limitações humanas

Dom José Gislon
Bispo de Erexim

Estimados Diocesanos! A caminhada da vida é feita, normalmente, em pequenos passos, superando os desafios das nossas limitações humanas. O realismo com o qual nos deparamos na nossa caminha de fé, e que nos é anunciado como boa notícia através da Palavra de Deus, é aquele que nos faz reconhecer que na vida existem também os inimigos. Inimigos fora de nós e inimigos dentro de nós, até o inimigo por excelência que sabemos estar sempre de plantão.

Portanto, quando Jesus nos convida a amar os nossos inimigos nos tira imediatamente da tentação de nos dobrarmos sobre nós mesmos, ou de nos fecharmos em torno de um discurso estéril de que sempre somos vítima, pelo qual, frequentemente, somos tentados a tornar o próximo bode expiatório dos nossos problemas. O realismo divino reveste de amor também o inimigo. Jesus não veio para consolar o nosso senso de humilhação, mas para nos sacudir da indiferença que nos faz assumir sempre o discurso de vítima da situação.

As nossas atitudes em relação aos outros podem não expressar ou seguir os ensinamentos do “Mestre” Jesus aos seus discípulos. “A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e orai por aqueles que vos caluniam…” (Lc 6,27-28). Podemos alimentar no nosso coração um espírito de vingança em relação aos que nos fazem o mal, ao invés de nos deixarmos conduzir pelas palavras do Evangelho, que conduzem à reconciliação e à paz.

Muitas vezes, agimos mais pelo impulso de vingança do que motivados pela lei suprema do amor que tem a forma de cruz. Foi essa a lei abraçada por Jesus, e é esta a lei que ele propõe aos seus discípulos e discípulas de ontem e de hoje. Mas para abraçar o mais sublime jeito de amar, aquele com o qual o Pai nos ama e pelo qual podemos ser reconhecidos como filhos e filhas, precisamos percorrer o caminho da conversão, do despojamento interior, do desapego do nosso egoísmo, da nossa vontade de humilhar o outro para podermos brilhar, esquecendo que o outro também é filho de Deus, mesmo tendo as suas limitações, quem sabe fruto da falta de amor.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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