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A missionária da vida, testemunha fiel do Criador

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Em, 12 de fevereiro de 2005, morria a Ir. Dorothy Sthang, de “morte matada”, crivada por balas pagas por quem mercantiliza a vida e assassina as florestas. Foi sepultada à sombra de árvores frondosas, bem próximas ao rio Anapu. Dorothy consumou sua vida entre os pobres mais pobres na Prelazia do Xingu. Defendia, com a Palavra do Deus misericordioso e compassivo, a milhares de colonos que eram afastados da posse de suas terras por grileiros e pistoleiros a serviço de interesses escusos que destroem a floresta desmatando sem pudor nem escrúpulos.

Um lema que estava escrito, numa camiseta, na véspera da sua partida, dizia: “A morte da floresta é o fim da nossa vida”. Inspirada por Santa Júlia Billiart,  fundadora das Irmãs de Nossa Senhora de Namur,  soube transparecer e assumir uma espiritualidade centrada na escolha e serviço aos mais pobres e desamparados.

Sabia, como poucas, descobrir os laços profundos da evangelização com a promoção humana integral e a justiça, pelo que ajudou na elaboração e implementação de projetos de Desenvolvimento Sustentável, que salvassem a vida dos pobres e possibilitassem a plena harmonia com a fauna e a floresta.

Pela sua coerência e testemunho fiel ao evangelho da vida e da criação, foi, infelizmente, considerada inimiga por aqueles que consideram progresso a Terra arrasada e desmatada pela tirania do dinheiro. Sua memória nos anima a participar do Sínodo da Amazônia, em outubro deste ano, para que, inspirados no seu exemplo, possamos abrir novos caminhos de evangelização para as Igrejas da Amazônia, e repensar, também, práticas de educação, espiritualidade e serviço na perspectiva de uma ecologia integral, uma ecologia, como dizia Dorothy, do coração, que nos leva a conversão do estilo de vida e a reduzir o impacto de nossa pegada ambiental, por vezes consumista e predatória.

Fiquemos, finalmente, com as palavras da Ir. Dorothy, para nos animar e encorajar no nosso compromisso: “Não fugirei nem abandonarei a luta destes trabalhadores que não têm proteção no meio da floresta. Eles têm o direito sagrado a uma vida melhor, numa terra onde possam viver e produzir com dignidade”. Deus seja louvado!

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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