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O apoio da Igreja à campanha para o combate à hanseníase

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

É muito importante o engajamento de todos para o combate à hanseníase, conhecida como a lepra, doença infecciosa que ataca os nervos e pele. A Igreja apóia as iniciativas sociais para a superação da doença. Alguns sintomas são conhecidos como formigamento, manchas brancas ou avermelhadas, a perda da sensibilidade ao tato e ao calor. Vejamos a seguir a atitude de Jesus em relação aos leprosos, a sua compaixão para com eles, e também uma consideração de São Gregório de Nazianzo, bispo do século IV em relação aos leprosos no seu tempo.

Como Jesus tratou os leprosos

Encontramos diversos relatos da cura de Jesus com os leprosos. Encontramos em Marcos o relato onde um leproso se aproximou de Jesus e de joelhos suplicava-lhe “se queres, podes purificar-me!”. A atitude de Jesus foi de compaixão de modo que tocou nele e disse que sim, que era possível a purificação (cfr. Mc 1,40-41). Temos também em Mateus a passagem do pedido de um leproso a Jesus para que fosse curado. Jesus prontamente lhe concede esta graça (cfr. Mt 8,1-3). Temos também em Lucas as mesmas considerações de um leproso a Jesus que o curou da lepra (cfr. Lc 5,12-13). Percebemos também em Lucas o caso dos dez leprosos que suplicaram a Jesus que tivesse misericórdia deles. Jesus os mandou aos sacerdotes e enquanto estavam a caminho, ficaram curados. Somente um voltou para agradecer a Jesus o dom da cura, na qual mereceu um elogio da parte do Senhor na qual poderia levantar-se e ir para casa e a sua fé lhe salvou (cfr. Lc 17,11-19). A atitude de Jesus é de inclusão do leproso na comunidade, na sociedade, uma vez que ele era excluído de tudo, por ser a lepra uma doença contagiosa. Jesus tocava neles como forma próxima de que ele amava os pobres e os sofredores. Assim a sua missão é dada no sentido pleno diante de outros sofredores da sociedade: os cegos recobram a vista, os paralíticos andam e os leprosos são purificados (cfr. Mt 114-5; Lc 7,22). A missão do Messias era também a purificação dos leprosos.

Exortação à piedade com os leprosos

São Gregório de Nazianzo fala dos leprosos no sentido de serem homem mortos e vivos, mutilados nos membros do corpo, devendo a recorrer a outros para dizer quem eram os leprosos na época em que esse Bispo viveu em Nazianzo ou mesmo em Constantinopla. O bispo falava dessa maneira porque aquelas pessoas faziam desta maneira porque não tinham mais uma fisionomia verdadeira que os fazia reconhecer. São homens devastados, privados dos bens, de seus parentes, dos amigos e do mesmo corpo. São pessoas destruídas da doença, abandonados pela doença. O Bispo falava aos seus que os leprosos eram abandonados por todos, porque não se podia suportar o cheiro de suas feridas e sangue que eram percebidos em seu corpo. A doença dividia o posicionamento de filhos para com os seus pais e dos pais com os seus filhos. Os pais gostariam de abraçar os seus filhos e filhas, mas como a doença estava muito forte, via as carnes dos filhos como inimigos. Gregório reconhecia a importância de acolher os leprosos e as leprosas na comunidade, para assim abraçar a crueldade como nobreza, e jamais desprezar a compaixão como vergonha. Ele dizia que sentia tanta dor por eles e por elas, os leprosos e as leprosas porque eram expulsos das cidades, das casas, das praças, das estradas, das festas e dos banquetes. Ele dizia que eram afastados por pessoas de bem considerados como uma maldição, sendo afastados de suas casas, alimentos, nem era possível darem curas para as suas feridas, nem panos para serem cobertos. Eles pediam a ajuda à comunidade pão, alimentos, panos, roupas para cobrir o pudor e suportar as feridas. Era preciso segundo o Bispo ajudá-los nas suas necessidades e jamais afastá-los como fez Jesus Cristo com os leprosos. Quem não se sente rasgar o coração aos seus lamentos que elevam como um canto doloroso? Quem pode fechar a vista diante do sofrimento dos leprosos? Quando eles falam de seus males, sentimos compaixão. Alguns até se deitam diante das pessoas para que pudessem receber alguma ajuda. Eis a sorte dos leprosos. No entanto dizia São Gregório, é preciso dizer que são os nossos irmãos, tem a mesma natureza, foram estruturados com ossos e nervos como cada um de nós, recobertos de carne e de pele. Eles são imagens e semelhança de Deus e talvez conservam melhor do que todos nós. São revestidos do mesmo Cristo como ser humano e possuem o mesmo penhor do Espírito Santo como nós. Também para eles morreu Cristo que tira o pecado do mundo, como eles são herdeiros da vida divina, foram sepultados com Cristo e ressuscitarão enquanto com o Senhor sofrem para assim serem glorificados (cfr. Rm 8,17). Por isso São Gregório de Nazianzo pedia para que os leprosos fossem incluídos na comunidade, assim como Jesus Cristo acolheu os leprosos, porque a sociedade de então os excluía. O Bispo recomendava nas suas comunidades para que houvesse compaixão, amor de verdade, para com os leprosos e leprosas.

A atitude da Igreja

 Como a doença está presente em muitas de nossas comunidades, bairros, é preciso que a Igreja incentive os familiares para que não fiquem parados, mas procurem o tratamento medico. A Igreja apóia as iniciativas comunitárias e sociais que levam a superação da doença, no sentido de encaminhar as pessoas com lepra ou que tenham algum sintoma da doença aos postos de saúde e façam o tratamento, porque a doença é curável. Ela está ao lado dos sofredores da sociedade, dos pobres assim como fez Jesus Cristo. O fato é que a doença é transmitida de um paciente que não tem a lepra por uma pessoa que tem lepra. O bacilo por viver em ambientes fechados é propagado através do espirro ou da tosse. É possível a cura desde que se sigam os tratamentos médicos fazendo com que haja acolhida para com os leprosos e fraternidade, amor mesmo diante das dores das pessoas. O Senhor nos pede essas atitudes de compaixão e de amor para com os leprosos e as leprosas de nossas comunidades.

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Fonte: Noticias da CNBB

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