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A Volta às aulas

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

 

Caros amigos, aproxima-se a volta às aulas. Neste contexto, é necessário refletirmos sobre a importância da educação para a formação pessoal e coletiva de nossos jovens e crianças.

Falar de educação no país, parece um assunto esgotado e rotineiro. Contudo, infelizmente, todas as reflexões parecem desencadear num diálogo de surdos; todos falam, ninguém escuta e nada se faz. Diante deste cenário, é lamentável o pouco valor que recebem os profissionais que dedicam suas vidas no auxílio aos pais na nobre tarefa de educar os filhos. Sem dúvida, este é um sintoma do lastimoso e progressivo esvaziamento do sentido da ‘educação’.

A escola é, sem dúvida, uma encruzilhada sensível da problemática que agita o mundo atual. Como um espelho, os jovens e as crianças refletem no ambiente escolar a realidade social na qual estão inseridos. Este comportamento tende a se agravar quando os filhos passam mais tempo nas instituições de ensino, devido à longa jornada de trabalho de seus pais, que, por vezes, acabam transferindo a sua missão educadora para a escola.

O testemunho dos professores atesta que os alunos possuem pouco interesse e são incapazes de sacrifícios pessoais e de constância, pois, em contrapartida, muitas vezes não encontram modelos válidos de referência. De modo semelhante, nas famílias e na sociedade dificilmente encontramos incentivos religiosos ou morais, que rejam retamente a conduta dos indivíduos. (cf. CEC – A escola católica no limiar do terceiro milênio, 6).

Um grande equívoco contemporâneo é uma difusa redução da missão educativa de nossas escolas aos aspectos simplesmente técnicos e funcionais do ensino. A própria ciência pedagógica volta-se para a fenomenologia e prática didática, e se esquece da formação integral da pessoa, inclusa sua relação com Deus e os demais, em nome de uma pretensa ‘educação neutra’.

Diante deste quadro, o Papa Francisco denuncia que a educação formal se empobreceu por causa da herança do positivismo, concebendo apenas um tecnicismo. E adverte que “a verdadeira escola deve ensinar conceitos, hábitos e valores; e quando uma escola não é capaz de fazer isto, esta escola é seletiva e exclusiva e para poucos” (Discurso aos participantes no congresso mundial promovido pela Congregação para a Educação Católica, 21 nov. 15)

A Congregação para a Educação Católica, chama atenção para o fato de que é “particularmente urgente oferecer um percurso de formação escolar que não se limite à fruição individualista e instrumental de um ensino apenas em vista de um título que deve ser obtido. Além da aquisição de conhecimentos, é necessário que os estudantes façam uma experiência de forte partilha com os educadores” (Cfr. Educar juntos na escola católica missão partilhada de pessoas consagradas e fiéis leigos, 2).

Não se pode esquecer que o homem é educado para conviver, não para ser um simples indivíduo para o mercado de trabalho. A educação integral ultrapassa o limite da técnica, responsabilizando-se também pela formação moral do indivíduo. Neste contexto, ocupa um lugar primordial na prática educativa o aspecto religioso, moldando nos corações, desde a mais tenra idade, a fundamental relação com Deus e com os irmãos.

Cabe a todos nós, como uma verdadeira ‘comunidade educativa’, fomentar o progresso institucional no campo da educação, zelando para que a escola seja uma sementeira na qual nascerá um mundo novo e o conhecimento seja promotor da unidade e da paz.

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Fonte: Noticias da CNBB

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