Círio Pascal: sinal do Cristo Ressuscitado

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora

 

Durante a Vigília Pascal, realizada no Sábado Santo e chamada a “mãe de todas as vigílias”, as trevas vão, aos poucos, dando lugar à luz que se acende à porta da igreja. O Círio Pascal, aceso no início da liturgia, é uma imagem simbólica do Cristo Ressuscitado. Representa a luz do Filho de Deus, que vai vencendo as trevas do templo e a todos ilumina.

A grande vela iluminará nossas igrejas pelos próximos quarenta dias, no chamado Tempo Pascal, até a Festa da Ascensão do Senhor. Ao compor o Círio, depois de benzer o Fogo Novo, fazemos incisões significativas com cinco cravos, contendo grãos de incenso que simbolizam o perfume de mirra e aloés (cf Jo 19,39) com que José de Arimatéia e Nicodemos envolveram o corpo de Jesus e que penetraram nas cinco chagas de Cristo (dos pés, das mãos, do peito e da cabeça ferida por duros espinhos), bem como recordam o perfume que as Santas Mulheres levaram ao sepulcro na manhã da ressurreição (cf Lc 24, 1).

Também assinalamos o Círio Pascal com as letras alfa e ômega, a primeira e a última letras do alfabeto grego, pois, nesta noite, mais que em todas as demais, proclamamos que Cristo é o princípio e o fim de todas as coisas. Por fim, marcamos este belo símbolo com os numerais do ano em curso, 2019, proclamando a nossa fé na história e na perpetuidade do amor de Jesus. Celebrando mais uma Páscoa, podemos proclamar jubilosos: “Até aqui, o Senhor nos ajudou” (I Sam 7, 12), como afirmara Samuel, vitorioso, aos filhos de Israel, depois de enfrentar terríveis guerras dos filisteus contra o Povo de Deus.

Pela ressureição, os pés de Cristo e os nossos estão livres e curados para prosseguir os caminhos da fé. Suas mãos e as nossas estão desimpedidas para praticar as boas obras. A cabeça está curada e livre para dirigir todos os movimentos do corpo de Jesus e nosso, para pensar e ensinar as verdades da fé.

Esta é a nossa Páscoa, que nos dá força para enfrentar não somente as dificuldades criadas à Igreja por incrédulos ou opositores, mas também agir de forma transformadora na sociedade de hoje, marcada por tantos problemas sociais – a fome e a pobreza, a falta de condições dignas para tantos, o desemprego criado por irresponsabilidades políticas e pela corrupção – e por perigos graves contra a família e aos bons costumes, propagados por ideologias ateias e agressivas à pregação de Cristo.

Ao chegar a este estágio da história da humanidade, vendo oposições e agressões à Sua Igreja, não tenhamos medo, pois Ele venceu o pecado e a morte para sempre. Diante de tantas situações difíceis, às vezes de violência terrível, continuemos a propagar que o bem vencerá o mal, a graça vencerá o pecado e a vida vencerá a morte.

São Paulo, enfrentando oposições e perseguições em seu tempo, afirmou: “Por amor de Ti somos entregues à morte todos os dias; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Contudo, em todas as coisas, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Rom 8, 36-37).

Feliz Páscoa!

 

 

O post Círio Pascal: sinal do Cristo Ressuscitado apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Rede Excelsior de Comunicação

Leve a rádio sempre com você
Baixe nosso aplicativo

Some description text for this item

receba novidades por email
Assine a nossa newsletter

Some description text for this item

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.