Bispos participam de conferência sobre livro Teologia da Liturgia de Bento XVI

Uma conferência sobre o livro “Teologia da Liturgia – o fundamento sacramental da existência cristã”, marcou a noite desta terça-feira (30), dia que antecedeu a abertura da abertura da 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O conferencista foi o cardeal Gerhard Müller, editor das obras completas de Joseph Ratzinger em língua alemã. Dezenas de bispos participaram da conferência, a qual ocorreu no auditório Santo Afonso, anexo ao hotel Rainha do Brasil.

Segundo o cardeal, na apresentação do livro, o papa Bento XVI, durante os longos anos de sua carreira acadêmica, como professor de teologia fundamental e dogmática, desenvolveu uma obra teológica pessoal que o coloca na série dos teólogos mais importantes do século XX e XXI. Por mais de 50 anos, o nome de Joseph Ratzinger está em conexão com um plano geral original de teologia sistemática.

Bispos do Brasil na conferência. Foto: Padre Andrey Nicioli

“O que está em debate não é a ordem exterior do rito, mas sua compreensão cristológica e a participação ativa da Liturgia no Espírito do Senhor. Na renovação de nossa capacidade litúrgica depende a renovação de nossa capacidade de dar aos homens e mulheres de hoje o ‘logos’ da esperança que habita em nós. Na Liturgia sagrada, nós, juntos, escutamos a Cristo que olha a nós. A Eucaristia é a congregação da Igreja em torno de Cristo, no Espírito Santo para louvor e glória de Deus”, afirmou durante sua exposição.

Todos, na Liturgia, se elevam como filhos e filhas de Deus no Filho único de Deus. Na Sagrada Liturgia adoramos a Deus, em atenção ao logos, e participamos do conhecimento de Deus. Nisto consiste a Liturgia católica: adoração a Deus em espírito e verdade. É experimentar a liberdade e a glória dos filhos de Deus.

“Há sempre um fundamento trinitário da Liturgia, sempre. A Igreja não é uma comunidade fundada por Jesus no sentido de ‘associativismo’. A Igreja é a comunidade de fiéis nascida da atuação de Jesus e, por meio dela, o Senhor ressuscitado se torna presente no Espírito Santo, uma vez que a Igreja é seu corpo e templo do Espírito. A partir do Concilio Vaticano II, a Igreja deve ser entendida como instrumento de Deus e sinal de Sua presença no mundo. A Igreja é, portanto, em sua realização, o sacramento de salvação no mundo”, disse.

Ainda segundo o cardeal Müller, a Igreja cumpre não somente uma missão exterior, mas compreende, em diversos momentos da vida do ser humano, uma atualização da salvação de Deus. “A Igreja é a representação de Cristo, uma atualização da atualidade de Cristo. Devemos concluir que a atividade sacramental da Igreja nada mais é do que sua realização. A liturgia já é a práxis da Igreja. Na Liturgia, Cristo já age como cabeça, fazendo da Igreja seu instrumento. A Liturgia transmite o Espírito Santo. Nela podemos falar com Deus, não apenas para Deus. Falamos de um Deus presente em nossa vida”, afirmou.

O conferencista também explicou que qualquer pessoa, incluindo presbíteros e bispos, não pode querer que seu pensamento se sobressaia sobre o sentido objetivo da Liturgia e da fé da Igreja, pois o pensamento humano pode ser falível. “A Liturgia conclui também a profissão pública da fé. Toda nossa Liturgia tem como fundamento os apóstolos. Neles a Liturgia se sustenta. Na Liturgia o fiel participa do acontecimento fundante da vida cristã. A Igreja é a fonte original do sentido da fé do Povo de Deus. A fé subjetiva e a compreensão pessoal não podem se sobressair diante do sentido objetivo da Liturgia e da fé objetiva da Igreja. O cristão individual, inclusive um bispo, pode ser falível em suas reflexões teológicas ou filosóficas. As reflexões subjetivas não podem ser uma norma. Por isso que entendemos a Liturgia como expressão total e objetiva da vida da Igreja. A liturgia é infalível no sentido objetivo, porque a Palavra de Deus é infalível, porque Jesus Cristo, no Espírito Santo, se faz presente nas ações fundamentais da Igreja”, refletiu.

A obra – O plano editorial das Obras Completas foi elaborado em estrita concordância com o Papa Bento XVI. Cada volume é autorizado pelo próprio Santo Padre em sua concepção temática e também na escolha dos textos. O volume “Teologia da Liturgia – o fundamento sacramental da existência cristã”, inicia a publicação das Obras Completas em língua portuguesa, publicada pelas Edições CNBB. A pedido do próprio autor, os escritos sobre a Liturgia iniciam as publicações, num total de 16 volumes.

Por padre Andrey Nicioli

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Fonte: Noticias da CNBB

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