Arquidiocese de Salvador

Tribunal em Roraima conclui fase diocesana de inquérito sobre milagre pela intercessão do Bem-Aventurado José Allamo

A diocese de Roraima encerrou,  no dia 15 de março, o Inquérito de canonização do Bem-aventurado José Allamano, fundador dos missionários e das missionárias da Consolata, com a última sessão do Tribunal Diocesano para a Causa dos Santos. Neste inquérito, que se concluiu após nove dias de trabalhos, o Tribunal estudou a cura milagrosa do indígena Sorino, do povo Yanomami, atribuída à intercessão do agora beato.

O vigário-geral da diocese de Roraima e delegado do bispo para o Inquérito, padre Lúcio Nicoletto, agradeceu à equipe que ao longo da semana trabalhou na recuperação dos documentos. O padre destaca a importância da recuperação do indígena yanomami Sorino, após ser atacado gravemente por uma onça pintada, inexplicável aos olhos da ciência, algo que espera “possa produzir frutos de amor e de um testemunho de vida plena no amor”.

O segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo da diocese de Roraima, dom Mário Antônio da Silva,  agradeceu aos missionários e missionárias da Consolata, de quem destacou a missionariedade, às testemunhas e a todos que têm  participado no processo. Dom Mário lembrou de um pensamento do beato José Allamano: “a vida humana torna-se tanto mais intensa e significativa quanto mais for vivida com amor”. Para dom Mário, o processo, realizado com o amor de Deus nos últimos dias, se conclui mas não finaliza. “Esse processo se amplia, abrindo nossos olhos e o nosso coração para a missão”.

Após os juramentos dos participantes do inquérito e dos diferentes procedimentos estipulados pelo Direito Canónico, as caixas com os documentos relativos ao processo de canonização foram lacradas e entregues à irmã Renata Conti para serem enviadas para a Congregação da Causa dos Santos da Santa Sé, no Vaticano.

No rito, foi lida, pelo bispo diocesano, uma mensagem enviada à diocese de Roraima pelo padre Stefano Camerlengo e pela irmã Simona Bambrilla, superiores gerais dos missionários e missionárias da Consolata. Na missiva, eles agradecem “pelo empenho na realização do processo diocesano em vista da canonização do nosso querido pai fundador, o Bem-aventurado José Allamano”. A carta afirma ainda que “a fama de santidade atribuída ao fundador, sempre foi motivo de alegria e esperança, o Allamano fez da santidade o seu refrão”.

Santidade e missão  de mãos dadas

Os superiores destacaram que “o milagre que celebramos é um milagre missionário, que está muito em sintonia com o espírito do Allamano, para quem santidade e missão caminham juntos, são faces da mesma moeda”. O texto enfatiza que “na missão, a santidade encontra uma casa, na missão, a santidade encontra o seu significado e propósito mais profundo”, destacando a importância que o reconhecimento do milagre pode ter na missão ad gentes.  Segundo os superiores gerais, a missão é algo muito presente nos missionários e missionárias da Consolata. No documento, também pediram a intercessão do fundador por aqueles que sofrem a Covid-19 e consolação para quem perdeu entes queridos e familiares nesta pandemia.

Com a relíquia chegada de Roma em mãos, entregue pela irmã Renata Conti para a diocese de Roraima, dom Mário Antônio agradeceu pelos mais de 70 anos de presença dos missionários e missionárias da Consolata na diocese. Segundo o bispo, José Allamano sempre caminhou nestas terras e continuará caminhando no testemunho das missionárias e os missionários da Consolata. “Mais do que nunca, este tribunal reforça essa presença do carisma de abertura para a missão”, disse.

No encontro com a imprensa local, após o padre Raimundo Vanthuy Neto fazer uma breve memória da história da evangelização no Estado de Roraima, o bispo destacou que “o fruto deste inquérito diocesano não são apenas folhas e páginas escritas, tem muita vida, tem muita esperança, tem muita fé, tem doação, é opção pelo Reino de Deus”. Dom Mário Antônio insistiu em que nas caixas que serão enviadas para o Vaticano “tem o coração da missão, e o que está aqui, também está no coração de Deus”.

Para o segundo vice-presidente da CNBB, o que está acontecendo com o processo de canonização do beato José Allamano, mostra a predileção de Deus pelos povos indígenas e pela Amazônia, fato que cobra maior valor dentro de “um contexto de muitos desafios e dificuldades para os povos indígenas, mas também para brasileiros e brasileiras mais pobres e necessitados”. Para o bispo, “o milagre é uma ação de Deus pela dignidade e vida em abundância de seus filhos e filhas”.

Fonte: CNBB com informações fotos e ilustração do Regional Norte 1 da CNBB


Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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