Arquidiocese de Salvador

Lições do Presépio

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

O Natal é uma das festas mais difundidas e queridas no mundo. A compreensão e a vivência do Natal têm sofrido mudanças que podem ofuscar seu sentido maior, a celebração do nascimento de Jesus. O termo “natal”, de origem latina, refere-se a “nascimento”. Podemos dizer que o Natal é a maior festa de aniversário que temos oportunidade de participar. Não se faz festa de aniversário sem o aniversariante. É preciso resgatar o sentido genuíno do Natal, voltando o nosso olhar para o Menino Jesus e, através dele, para as pessoas que conosco convivem e com as quais queremos viver um Natal feliz.

O presépio, adornado com tanto carinho e beleza, tem muito a nos ensinar. Dentre as suas lições, três se destacam. A primeira é a simplicidade. Jesus nasce na humilde manjedoura, envolto em faixas, acalentado por sua mãe Maria, da pequena aldeia de Nazaré, com seu esposo, o carpinteiro José; cercado de gente humilde como os pastores e visitado por estrangeiros desprezados por muitos naquele tempo, os sábios do Oriente. A segunda é a lição do amor de Deus que quer abraçar a todos com ternura e misericórdia. Amor revelado especialmente aos pequenos, aos pobres e a todos os que não são amados no mundo, como ocorria com os pastores e os estrangeiros. Deus não exclui ninguém do seu amor. Ele nos ensina a amar a todos, especialmente, as pessoas que ainda não amamos bastante. A terceira lição é o alegre louvor dos anjos e dos pastores ensinando-nos a orar, reconhecendo e acolhendo o Salvador nascido em Belém, fonte de paz e alegria para os homens e mulheres de boa vontade. Estas atitudes permitem fazer a experiência de um Natal feliz.

Em contraste com a manjedoura de Belém, encontra-se o estilo consumista que vem caracterizando, cada vez mais, o Natal. O Papai Noel, tão querido pelas crianças, poderá ter o seu lugar desde que não ocupe o lugar de Jesus. Os presentes podem ser sinais bonitos de amor e gratidão desde que as pessoas não se esqueçam dos presentes mais belos e duradouros, que não são adquiridos em lojas, como o amor, o perdão, a esperança e a paz. Não custa oferecer tais presentes neste tempo de Natal e em cada dia do novo ano.

É preciso recriar hoje o cenário de Belém, dele participando. Nós somos convidados a caminhar ao encontro do Menino Deus nascido em Belém, refazendo o caminho dos pastores e dos magos. Contudo, é preciso caminhar juntos. No presépio as pessoas estão juntas: José e Maria, os pastores, os magos e os próprios anjos. Diante do caminho para Belém, é preciso repensar os caminhos que temos percorrido, dispondo-nos a caminhar como irmãos. A celebração do nascimento de Jesus é ocasião privilegiada para a prática da partilha e da solidariedade, especialmente neste tempo de pandemia, para que todos possam ter um feliz Natal.

*Artigo publicado no jornal Correio, em 21 de dezembro de 2020.


Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

Artigos relacionados