Arquidiocese de Salvador

“O amor me ensinou que…”: conheça o trabalho da Pastoral do Migrante

Na primeira edição da série “O amor me ensinou que…”, a Pastoral da Comunicação (Pascom) preparou uma matéria sobre o trabalho e a missão da Pastoral do Migrante. Confira:

No centro da imagem está o padre Manoel Filho, coordenador da Pastoral do Migrante na Paróquia Ascensão do Senhor

Portas e coração abertos para acolher a quem chega, seja de onde for. É assim que a Pastoral do Migrante, na Arquidiocese de Salvador presente no Centro Comunitário Monsenhor José Hamilton da Paróquia Ascensão do Senhor (Centro Administrativo da Bahia – CAB), acolhe homens e mulheres que deixaram os países de origem e partiram em busca de novas oportunidades no Brasil. Os motivos? Ah, esses são inúmeros, inclusive fome, guerras civis e militares.

Inúmeros são também os sonhos que os migrantes carregam de um país para o outro, e mais do que isso: esperança de uma vida melhor e mais justa. “Minha vida no Brasil, comparada à Venezuela, tem sido ótima, apesar da dificuldade. O Brasil foi uma boa opção para morar, não passo tanta fome e posso mandar algum dinheiro para a minha família que ficou na Venezuela”, afirma Jorge Luís Cadamo Bucan, de 43 anos.

Jorge chegou ao Brasil em 2018 e é um dos atendidos pela Pastoral do Migrante, que o apoiou nesta nova etapa da vida. “Eu não descobri a Pastoral do Migrante; foram eles que me acharam, não sei como até agora. Mas, graças a Deus, no mês de março o padre Manoel me ligou. Lembro que me perguntou se eu era Jorge e eu respondi que sim. Ele me perguntou se eu queria que ele me ajudasse, eu falei que sim e o padre me deu o endereço da Igreja. Quando eu cheguei na Igreja, eu tinha quase dois dias sem comer. A Pastoral do Migrante me dá alimentação, roupa, calçado e agora o padre Manoel e a Pastoral estão procurando trabalho para mim”, conta.

O recomeço de Jorge contou e conta com o trabalho missionário da Pastoral do Migrante

Assim como Jorge, cerca de 120 pessoas já foram acolhidas pela Pastoral do Migrante, que é uma ação do Programa de Migrantes e Refugiados do Centro Comunitário Monsenhor José Hamilton. “O objetivo é acolher migrantes e refugiados que busquem apoio humano e material para a sua nova vida na Bahia. Já acolhemos pessoas da Venezuela, em sua maioria, e de Cuba, Haiti, Senegal, Chile e Iemem. Atualmente temos 60 migrantes em atendimento”, afirma o padre Manoel de Oliveira Filho, pároco da Paróquia Ascensão do Senhor.

A localização dos migrantes acontece de diferentes maneiras: por indicação, por captação (alguns foram recolhidos em situação de rua) e através de buscas nas redes sociais. “O primeiro acolhimento é humano: ouvir, conversar… as situações são sempre muito doloridas, existem saudades e dificuldades com relação à língua e à cultura. Depois vêm as necessidades imediatas: alimentação, itens domésticos, meios de manutenção, médicos e remédios. As necessidades são as mais variadas. Já montamos casas com o básico para a sobrevivência, já providenciamos cirurgias e muitas consultas, já fizemos encaminhamentos para empregos e até colocamos para morar na Igreja, nesse período de pandemia, até conseguir uma casa para fazer a mudança”, afirma o padre Manoel.

Recomeço

No Brasil, Yanet Patrícia faz pães delícia para ajudar no sustento da família e no recomeço

Yanet Patrícia Gallo Girbau, o marido e dois filhos tinham planos de chegar ao Brasil e poder recomeçar. Porém, as passagens de Cuba para as terras brasileiras não couberam no orçamento da família, foi então que eles resolveram o seguinte: a filha mais velha iria ficar com a avó, em Cuba, e o filho mais novo viria com Patrícia e o esposo para o Brasil. Ainda assim, o sonho parecia impossível de ser realizado. “Compramos passagens para a Guiana Francesa e lá falamos com o ‘coiote’ [agente que conduz as pessoas para passar pelas fronteiras dos países], passamos pela fronteira depois de 60 dias em Guiana. Chegamos a Rondônia e depois viemos para Salvador”, conta.

Na capital baiana, o recomeço também passava por momentos muito difíceis. Sem conhecer absolutamente ninguém, o marido de Patrícia procurou alguns órgãos públicos, entre eles a Prefeitura. Em uma dessas buscas, ele encontrou uma senhora que o falou do trabalho da Pastoral do Migrante, anotou o telefone e prometeu passar o número para o padre Manoel. Alguns dias depois, a tão esperada ligação aconteceu: o padre Manoel fez contato com o marido da Patrícia e ofereceu ajuda através da Pastoral do Migrante. “A Pastoral do Migrante representa muita coisa para mim. Quando chegamos aqui, nós não conhecíamos ninguém. Nós não pretendemos voltar para Cuba, pois a vida lá era muito ruim. Eu estou trabalhando fazendo pão e juntando dinheiro para trazer a minha filha que ficou com a minha mãe”, diz Patrícia.

De acordo com o padre Manoel, o processo de inserção é lento e gradual. “Estar longe, viver sem a família, não ter conhecidos, talvez seja a maior dor que eles carregam. Deixaram tudo para trás sem ter nenhuma segurança pela frente. Ter uma comunidade acolhedora, um ponto de apoio na hora que a dor dói mais forte, faz toda a diferença. O resto é trabalhar, se sustentar e mandar ajuda para quem ficou”, afirma.

Segundo o padre, uma das ações importantes da Pastoral do Migrante está na linha da geração de meios de subsistência. “A Feira Solidária que existe nas manhãs de domingo – suspensa por conta da pandemia – ajuda a manutenção dos que levam seus produtos para vender. Um grupo de professoras foi auxiliada a formar uma escola de espanhol em forma de cooperativa e conseguimos bolsas de estudo para jovens migrantes na Universidade Católica do Salvador [UCSal]. Essa é a maior demanda deles: meios de subsistência”, diz.

Ficou interessado em conhecer mais a Pastoral do Migrante e até mesmo em ajudar? Entre em contato com a Paróquia Ascensão do Senhor através do telefone (71) 3115-3575.

Nós queremos saber: Ao ler esta matéria, de que maneira você completaria a frase “O amor me ensinou que…”?

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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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