Arquidiocese de Salvador

Paz em casa

Dom Sergio da Rocha

Cardeal Arcebispo de São Salvador da Bahia

            Neste tempo de distanciamento social, permanecer em casa pode ser uma ocasião especial para se conhecer melhor o outro, conviver fraternalmente e compartilhar tarefas.  Mas, ao mesmo tempo, dificuldades no relacionamento podem surgir ou piorar. Na vida cotidiana, muitas vezes ocorrem desentendimentos por motivos banais. Infelizmente, verificam-se também graves casos de violência doméstica, que merecem consideração especial e devem ser combatidos com rigor. São ressaltadas, aqui, também as dificuldades de menor gravidade moral, mas que não deveriam se instalar no seio de uma família, especialmente neste tempo de pandemia, que pode ser uma oportunidade para crescimento e amadurecimento.

As imagens de conflitos armados costumam chocar bastante, pois causam destruição e sofrimento.  Em geral, procura-se evitar a guerra ou acabar com ela, o quanto antes. Contudo, numa casa, os conflitos tendem a ser tolerados. Dificuldades de relacionamento e desentendimentos passageiros podem ocorrer entre as pessoas de uma família. O problema maior acontece quando as dificuldades se agravam e se instalam como parte permanente do cotidiano, trazendo consequências semelhantes às das guerras, com gente ferida. Nenhuma pessoa ou família pode viver em clima de guerra e, no fundo do coração, todos querem certamente a paz.

O fim dos conflitos numa casa dependerá muito das pessoas que ali vivem e daqueles que as cercam. Quando a situação se agrava, não basta uma breve trégua; é preciso depor as armas. Os que estão próximos podem ajudar muito, estimulando o diálogo, o perdão e a reconciliação. Contudo, o papel dos atores em conflito é fundamental. Em primeiro lugar, é preciso eles quererem mudar a situação, dar um basta aos conflitos, começar vida nova. Deixar de lado o orgulho e o ressentimento para se aproximarem fraternalmente, instaurando novos relacionamentos. É preciso deporem as armas para se darem as mãos! É preciso o esforço sincero de cada um, para a superação dos desentendimentos. Para isso, é importante cada um cuidar mais da sua vida espiritual e afetiva. Orar e meditar mais, aquietar-se interiormente, cultivar amizades, demonstrar gestos simples e afetuosos de amor. Tal tarefa necessita ser cumprida com persistência, mesmo quando os outros não fizerem a própria parte.

Entretanto, quando algo grave torna-se motivo de conflitos em casa, é preciso buscar ajuda para a sua superação, inclusive ajuda especializada, de natureza médica, psicológica ou espiritual. O caminho para conseguir a paz completa e duradoura poderá ser longo, mas deve ser percorrido passo a passo, a cada dia, exigindo mais de si do que dos outros, com a paz de Deus no coração.

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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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