Arquidiocese de Salvador

Arquidiocese de Salvador lança, oficialmente, campanha para a restauração da Galeota Gratidão do Povo

Coletiva de imprensa aconteceu na sede da Devoção do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem

Com o objetivo de restaurar a Galeota Gratidão do Povo, a Arquidiocese de Salvador está com uma campanha para a arrecadação de recursos. A iniciativa foi apresentada na manhã desta quarta-feira (30), durante coletiva de imprensa realizada na sede da Devoção Senhor Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem, em Salvador. A abertura da coletiva aconteceu com uma breve oração na Matriz. Em seguida, Dom Murilo se dirigiu até o galpão onde está a galeota para, simbolicamente, martelar o primeiro prego na embarcação. “Eu vejo essa galeota como uma expressão de uma fé singular, primeiro porque a procissão é várias vezes secular; depois porque é um símbolo. Na vida humana, nós precisamos de símbolos; nós vivemos com riquíssimos símbolos e todo aquele sentido de olhar a travessia do mar como a travessia da vida é realmente um símbolo muito forte. A Irmandade aqui tem procurado manter esta tradição, mas com dificuldades”, disse o Arcebispo aos jornalistas.

Na ocasião, estiveram presentes o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, padre Davi Oliveira dos Santos; presidente da Devoção, Expedito Sacramento; o presidente da Comissão Especial para Restauro da Galeota, padre Aderbal Galvão de Sousa; o comandante da Capitania dos Portos da Bahia, Márcio Amaral; e a presidente da Fundação Mário Leal, Tania Scofield. “Quando, no ano passado, fui informado pela Irmandade que não haveria a possibilidade de usar a galeota, porque não estava dentro da garantia de segurança, eu percebi, logo quando o povo foi tomando consciência, a dor profunda sentida por isso. Mesmo assim, a procissão foi realizada com a ajuda da Marinha. Mas eu vi que ficou no coração do povo aquele sentimento de vazio e aí em 2019 começamos este projeto. Mas eu disse: quem vai ter que restaurar é o povo, não importa com quanto, se com centavos ou real”, afirmou Dom Murilo.

Simbolicamente, Dom Murilo martelou o primeiro prego na Galeota Gratidão do Povo

De acordo com o Arcebispo, para que a galeota pudesse estar completamente restaurada em dezembro deste ano, o trabalho teve início em julho. “Uma restauração dessa leva, praticamente, meio ano. Nós não podíamos começar antes essa campanha porque a cidade e o estado estavam envolvidos com a canonização de Irmã Dulce, que foi um belo desafio e que muito nos agradou enfrenta-lo. Pensamos, então, em deixar passar a canonização, mas o trabalho precisava ter início. Foi então que contraímos um empréstimo e agora precisamos pagar este empréstimo. Mas eu tenho certeza que a resposta do povo será generosa como foi em 1892, como foi das outras vezes”, disse.

O projeto está dividido em três etapas e, na primeira, tem como meta recuperar, até dezembro deste ano, a tradicional embarcação que desde 1892 conduz a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes em 31 de dezembro e em 1° de janeiro. Neste período – 127 anos – este foi o primeiro ano que a galeota não fez parte dos festejos. “A galeota é um projeto de imediato, mas nós precisamos também da garantia de que o povo vai ajudar agora a restaurar a galeota. Contamos com o apoio da Marinha, que está totalmente à disposição”, afirmou o padre Aderbal.

“Eu tenho esse privilégio de estar como capitão dos Portos da Bahia e de garantir a segurança da população no mar. A Marinha está totalmente integrada com esta procissão, que é uma parte da nossa capitania. Realmente foi uma pena, no ano passado, a galeota não poder ter participado, mas nós trabalhando sempre com muita responsabilidade e em prol da segurança. Nós tivemos a sensibilidade de estar juntos com a Arquidiocese nessa iniciativa maravilhosa de manter esta tradição do povo baiano”, afirmou o capitão Amaral.

Complementar ao restauro da galeota e em paralelo com ela, será desenvolvido o projeto para requalificação do atual espaço destinado ao abrigo da galeota, com um moderno estaleiro multiuso, com o apoio da Fundação Mário Leal. O propósito é a conservação da embarcação, que deverá ficar em um dique molhado com vista para o Largo da Boa Viagem, através de uma vitrine (parede de vidro) constituindo-se em efetiva atração turística. Por este viés virá a manutenção sustentada da tradição. A Fundação Mário Leal, da Prefeitura do Salvador, autora e executora do projeto de recuperação da Praça da Boa Viagem e do Caminho da Fé, abraçou esta ideia em 19 de julho 2019, comprometendo-se com a execução do projeto arquitetônico do novo estaleiro a ser iniciado a partir do cadastramento das áreas a ser realizado.

O estaleiro, além do dique molhado, terá as seguintes características: fácil acesso ao público, área para exposição dos equipamentos complementares ao barco (remos, alfaias e outros), memorial da tradição religiosa (Igreja, procissão, galeota e Irmandade), atraente área de convivência, área para receptivos de casamentos realizados na igreja, espaço para a administração e áreas de serviços. “É uma alegria para a Prefeitura participar deste esforço conjunto de restaurar a galeota e deste projeto que vai abrigar a galeota. A prefeitura faz parte deste esforço, junto com todos os moradores desta cidade, soteropolitanos ou não”, disse Tania Scofield.

Para o padre Davi, pároco da Boa Viagem, o momento é de muita alegria. “Aqui na nossa paróquia nós estamos felizes por esse momento em que nós vemos a nossa Igreja e a sociedade como um todo abraçando a causa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes. É um momento de muita esperança não somente para a nossa paróquia ou para a Devoção do Bom Jesus, mas também para toda a Cidade Baixa, para os moradores da península itapagipana. Nós estamos cheios de esperança e agradecemos ao nosso Arcebispo Dom Murilo que abraçou este projeto, e também a todos aqueles que abraçaram a causa”, afirmou.

A campanha

A campanha está focada em doação financeira, de qualquer valor, a partir de um centavo (R$0,01), incentivada com a entrega de um certificado denominado “Preito de Gratidão”. As doações serão feitas em nome da Fundação Dom Avelar nos seguintes bancos: Caixa Econômica Federal – Agência: 1032; Operação: 003; Conta Corrente: 2476-9 / Banco Bradesco – Agência: 3072; Conta Corrente: 8583-9 / Banco do Brasil – Agência: 2967-X; Conta Corrente: 10-8. Quem desejar poderá utilizar o PayPal no site www.gratidaodopovo.com.br

Outra linha de arrecadação volta-se para ações de marketing direto direcionado a paróquias, comunidades católicas, associações e outras instituições. Neste segmento, haverá possibilidade de arrecadação direta, em espécie ou por cartão de crédito. As contribuições em espécie serão recolhidas em caixas lacradas e recolhidas ao banco após a coleta.

O material gráfico de apoio a esta linha será: banner, folder motivacional da campanha como contribuir (contas bancárias e Internet). Outra linha de captação será a venda da foto do doador montada sobre o painel com a imagem da galeota, esta ação depende de parcerias com shoppings centers e outros pontos de grande convergência popular. O incentivo a doações de maior valor, acima de R$500, será feito através do direito de uso do SELO RESPONSABILIDADE SOCIAL, PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DA BAHIA, GRATIDÃO DO POVO, EU CONTRIBUÍ, que garantirá ao adquirente o direito de usar o do selo por um ano (contrato próprio). Neste caso o doador receberá cumulativamente o Preito de Gratidão e o Selo de Responsabilidade Social.

Em breve, também deverá ter início a restauração da Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, construída em 1741. O projeto, que já está sob os cuidados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), está sendo acompanhado pela Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Um pouco de história

Apesar da procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes ter sido iniciada há 178 anos (1841), a Galeota Gratidão do Povo começou a fazer parte da solenidade a partir de 1892, portanto há 127 anos. A história da embarcação teve início quando a Galeota Imperial, que desde os meados do século XIX conduzia a imagem do Bom Jesus dos Navegantes na procissão, foi impedida de participar e os organizadores, para não quebrar a tradição, providenciaram outra embarcação, substituindo a Galeota Imperial. Inconformados com aquela situação juntaram-se os carpinteiros navais João Francisco da Maia, Manoel Antônio Dias e João Ricardo Borges, no esforço de construir a Galeota Gratidão do Povo, a ser financiada por doações populares e o trabalho voluntário de grande número de pessoas. A galeota foi ao mar em 27 de dezembro de 1891, com as bênçãos do Cônego Ludgero dos Humildes Pacheco.

A Galeota Gratidão do Povo, portanto, representa um patrimônio de fé e compromisso do povo baiano, há 127 anos. Ela lidera a tradicional procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes que anuncia o ano novo, trazendo fé e esperança. Na tradição, a embarcação passa a noite de 31 de dezembro ancorada no porto, após conduzir a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes para o cais, no Comércio, de onde a imagem segue em procissão terrestre até a Basílica Santuário Nossa Senhora Conceição da Praia. No dia primeiro do ano retorna com a imagem do Bom Senhor dos Navegantes a bordo para a praia da Boa Viagem, em cujo percurso é seguido por centenas de embarcações numa grandiosa procissão pela Baía de Todos os Santos.

Durante todo o ano a Galeota fica guardada no galpão ao lado da Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. A Irmandade Devoção do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e de Nossa Senhora da Boa Viagem é a responsável pela guarda e manutenção da embarcação, motivo de dedicação e orgulho dessa associação que de forma abnegada e perseverante zela pela integridade material e simbólica da “Gratidão do Povo”.











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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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