Arquidiocese de Salvador

Devotos lotaram Santuário para celebrar a Festa Litúrgica da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres

Milhares de fiéis, devotos e admiradores se encontraram neste dia 13 de agosto para celebrar a Festa Litúrgica da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. A Missa, que teve início às 9h, no Santuário da Imaculada Conceição da Mãe de Deus (Largo de Roma, Salvador), foi presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, e concelebrada pelo bispo da Diocese de Irecê, Dom Tommaso Cascianelli, e por padres da Arquidiocese de Salvador.

Não era difícil encontrar devotos emocionados, seja por estar participando pela primeira vez da festa, seja por ter inúmeros motivos para agradecer pela intercessão da Bem-Aventurada que, no dia 13 de outubro, será proclamada santa. “Uma festa de um santo é um estímulo, é colocado diante de nós como uma lembrança e ao mesmo tempo um incentivo para nós também multiplicarmos o amor e a bondade, porque Deus sempre nos surpreende. A gente faz um pouco e ele multiplica aquilo em Sua misericórdia. Então, se nós todos nos unirmos, olhando os necessitados que nos cercam, eu tenho certeza que uma multidão será beneficiada com nosso testemunho, com o nosso amor”, afirmou Dom Murilo.

Durante a homilia, Dom Murilo falou sobre o legado deixado por Irmã Dulce. “Como ela, antes de abrir as portas do hospital, precisamos abrir as portas do nosso coração; o resto é consequência. Sua preocupação era com os pobres: ela aprendeu que o amor precisa de organização, o que ela não admitia era que em nossa sociedade pudesse haver pessoas tão pobres que não pudessem ter o mínimo para uma vida digna. Irmã Dulce compreendeu que são os pobres que nos ajudam, por que o pobre é Jesus Cristo: ‘foi a mim que o fizeste’. Tudo dela partia do encontro com Jesus e que continuava depois nesse Jesus que ela via no necessitado”, disse.

O Arcebispo destacou, ainda, a necessidade de outras “Dulces” nos dias atuais. “Mais do que dar pão aos necessitados, o que já é importantíssimo, Irmã Dulce procurou transmitir aos pobres valores: queria que eles tivessem a sua dignidade reconhecida. A confiança na Providência era o que a levava a enfrentar as dificuldades, e não foram poucas, com serenidade. Mas, o que ficou da vida e do trabalho de Irmã Dulce? Essa é uma pergunta que somos chamados a responder nestes dois meses de preparação para a canonização. Penso que a nossa cidade, a nossa Bahia e o nosso Brasil não mudaram tanto nestes anos. Por isso, precisamos de muitas Irmãs Dulces. Sim, enquanto houver mãos estendidas pedindo socorro, meninos de rua desejando ser acolhidos, idosos abandonados, doentes sem a devida assistência, há necessidade de muitas e de novas Irmãs Dulces. Podem ser frágeis como ela, pequenas e com a saúde limitada como a dela, o que não pode faltar em seu coração é a capacidade de fazer sua a dor do outro, a dor do necessitado. Não pode faltar um coração que pulse como o de Jesus, um coração que nos transforme como transformou o de Irmã Dulce, em irmãos e irmãs universais”, afirmou Dom Murilo.

Logo após a Comunhão, o miraculado Maurício Moreira, a cantora Margareth Menezes e o músico Waldonys cantaram a música oficial “Doce Luz”. Em seguida, a relíquia de Irmã Dulce foi conduzida até o altar. “É muito importante celebrar este dia. Esta é a primeira vez que eu venho nesta Igreja. Eu venho sempre no hospital Santo Antônio, que é uma obra importantíssima para nós, pobres, que não temos condições de pagar por exames e por consultas”, diz a devota Alaíde Cruz, da Paróquia São Paulo Missionário.

Assim como ela, Telma Lúcia Neves de Souza, que conheceu Irmã Dulce, participou da missa com o coração agradecido. “Eu moro aqui na Cidade Baixa e participava na Paróquia Nossa Senhora da Penha. Quando eu era jovem, conheci Irmã Dulce e nós do grupo de jovens tínhamos com ela o compromisso de vir ajudar os idosos, as crianças, os deficientes. Irmã Dulce era muito forte, muito determinada. Eu lembro que uma vez uma amiga minha estava chorando porque havia morrido uma mãe e deixado cinco filhos. Quando minha amiga disse o motivo pelo qual ela estava chorando, Irmã Dulce disse assim ‘enxugue as suas lágrimas, por que aqui já tem lágrimas demais’. O que ela quis dizer é que naquele momento do desespero, é preciso ser forte. Eu tinha uns 14 anos, hoje eu tenho 56 e eu não esqueço disso. Muitas vezes quando eu  quero chorar, eu lembro do que Irmã Dulce falou e fico forte, mesmo que depois eu chore, mas naquele momento eu preciso ajudar as pessoas”, conta.

Texto: Sara Gomes

Fotos: Sara Gomes e Emilly Lima



































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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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