Arquidiocese de Salvador

São Francisco Xavier

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

Sexta-feira passada, dia 10 de maio, Salvador, tendo a Câmara Municipal à frente, celebrou a festa de seu padroeiro, S. Francisco Xavier. Seu dia litúrgico, na verdade, é 3 de dezembro. Alguém poderia perguntar: por que o padroeiro da cidade não é o Senhor Bom Jesus do Bonfim, cuja Colina Sagrada é tão visitada? Ou Santo Antônio (de Lisboa, de Pádua, da Barra…), que desde tempos imemoriais entrou no coração deste povo?

Voltemos ao ano de 1686. A cidade de Salvador foi assolada por uma epidemia. Médicos e, particularmente, enfermeiros, haviam feito tudo o que estava a seu alcance para socorrer os enfermos, que eram de todas as classes sociais. O número de mortos crescia. Nessa hora, foi invocado São Francisco Xavier, certamente por influência dos Jesuítas, pois também esse santo era jesuíta e morrera de peste ao tentar entrar na China, para evangelizar. Em carta de 10 de maio de 1686 ao reitor do Colégio da Companhia de Jesus de Salvador, a Câmara do Senado manifestou o desejo de alcançar a misericórdia divina e obter a cura da população e, para isso, pedia a proteção desse Apóstolo do Oriente e, em troca da graça solicitada, assumia o compromisso de tomar S. Francisco como protetor da cidade e, anualmente, organizar uma grande festa neste dia, “a custa deste Conselho”.

Em 3 de março de 1687, o Senhor Rei de Portugal, Dom Pedro II, aprovou o voto feito pela cidade de Salvador “de tomar por seu Padroeiro o Apóstolo do Oriente S. Francisco Xavier”. Faltava, então, a aprovação pontifícia, que veio em 13 de março de 1688: “Conhecida a causa da eleição de São Francisco Xavier da Companhia de Jesus como Patrono Principal da Cidade da Bahia, da Diocese de São Salvador, no Domínio de Portugal no Brasil, feita a eleição pelo Senado e pelos Oficiais da Câmara e Cidadãos da mesma cidade, a Sagrada Congregação dos Ritos […] aprovou a mencionada eleição […]  e sobre o mencionado Santo assim eleito determinou todas as prerrogativas que competem aos Santos Patronos Principais”.

Como entender, então, que nem sempre as celebrações do dia 10 de maio tivessem o brilho inicial? Muito simples: em 1760 os Jesuítas deixaram o Brasil, expulsos pelo Marquês de Pombal. As autoridades portuguesas, a partir daí, procuraram exterminar qualquer lembrança ligada à Companhia de Jesus. A devoção a S. Francisco Xavier só voltou a ter um novo impulso na metade do século dezenove, quando a cidade enfrentou uma nova epidemia (“cólera morbus”) e tornou a invocá-lo.

A cidade pode ter-se esquecido, por vezes, de seu protetor. Ele, certamente, nunca se esqueceu ou se esquecerá desse povo que o escolheu como “Patrono Principal da Cidade”! Vale a pena conhecê-lo, celebrá-lo e imitá-lo.

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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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