Anunciar Jesus Cristo, hoje?

Dom Rodolfo Luis Weber
Arcebispo de Passo Fundo

 

O texto bíblico, da liturgia católica deste domingo, tirado de Lucas 10,1-12.17-20, conta que Jesus escolheu discípulos e os enviou, na “sua frente, a toda cidade e lugar onde ele próprio devia ir”. Faz recomendações sobre como deveria ser a postura deles e descreve algumas possíveis reações dos destinatários. De lá até hoje, já se passaram quase dois milênios e, naturalmente, surge a pergunta sobre a contemporaneidade, a atualidade deste mandato conferido várias vezes por Jesus aos discípulos. Numa longa história acontecem inúmeros fatos, uns elogiáveis, outros deploráveis. Os mesmos fatos são interpretados e pintados com múltiplos pontos de vista. Assim surgem muitas opiniões sobre o tema. Mas, o que é essencial no anúncio do Evangelho?  Onde está centralidade? Onde reside a contemporaneidade?

O essencial do anúncio do Evangelho é que se fala da pessoa de Jesus Cristo. Portanto não se começa falando de uma teoria, de uma doutrina ou de um conjunto de valores éticos e morais. É o anúncio de uma pessoa divina, sendo assim, a fé cristã apresenta como qualidade mais profunda uma relação de caráter pessoal. A fé cristã é mais do que uma opção por um fundamento espiritual do mundo, e é por isso que a sua fórmula central não diz “creio em algo”, e sim “creio em alguém”. Ela é o encontro com Jesus, e nesse encontrar-se ela experimenta o sentido do mundo.

Para ser uma relação pessoal requer-se escuta, diálogo, convite, proximidade, convivência. Por intermédio de Jesus, o intocável tornou-se tocável e o distante tornou-se próximo. Ele é a presença do próprio eterno neste mundo. Nesta perspectiva, fazem sentido as perguntas e os convites dirigidos por Jesus às pessoas que o rodeavam. “Quem dizem que eu sou?” “Para vocês quem eu sou”? “Segue-me”.  “Vide e vede”. “Se alguém me quiser seguir, renuncie a si mesmo e me siga”. Fazem sentido as respostas das pessoas: “Meu Senhor e meu Deus”. “Para mim viver é Cristo”. “Creio Senhor, mas aumenta a minha fé”. “Tu és o filho de Deus”.

Da relação próxima entre as pessoas e Jesus Cristo nasce a fé, o amor, a confiança, a comunhão e a adesão aos ensinamentos propostos. O fiel vai discernindo se crer em Jesus de Nazaré oferece um sentido para o mundo e a para sua vida pessoal. Assim se fundamenta um modo de viver e uma ética. É recorrente a constatação da perda de valores na convivência humana e a reinvindicação de resgatá-los. Mas também se percebe que nas propostas existentes faltam referências, uma vez que são baseadas em opiniões pessoais. A fé cristã marcada pela relação pessoal com Jesus Cristo entende que o modo de viver se fundamenta nos ensinamentos dele, conferindo assim fundamento, racionalidade e direção essencial. Torna-se um desafio permanente compreender e procurar responder no decorrer da história as novas perguntas que vão sendo formuladas, partindo dos grandes ensinamentos deixados.

Nos ensinamentos de Jesus Cristo alguns temas são recorrentes: amor, perdão, paz, justiça, misericórdia, vida, verdade, fidelidade, entre outros. Creio que sejam orientações vivenciais plenamente atuais e merecem ser considerados com espírito desarmado. Na história passou-se de uma sociedade teocêntrica para um antropocentrismo. Também já ouvi o neologismo “antropoteísmo”, isto é, o “ser humano considerado como divindade” com a capacidade de definir o bem o mal. Cada um define o seu bem e o seu mal. Na perspectiva cristã, o centro e o referencial sempre é e será Jesus Cristo, mesmo que as minhas ideias e atitudes não concordem com a proposta.

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Fonte: Noticias da CNBB

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