Amizade social

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

No meio dos grupos sociais, presentes nas comunidades, acontecem os conflitos, principalmente em relação de inconformidade dos setores mais pobres e vulneráveis. Todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade devem olhar, reconhecer, garantir e reconstruir os caminhos que garantam a paz social. Os últimos da sociedade não são reconhecidos e acabam sendo agredidos.

As desigualdades e a falta de desenvolvimento humano integral impedem a construção da paz. Sem uma real igualdade de oportunidades, as formas de agressão entre os excluídos aumentam sempre. Devemos entender que os conflitos, a violência e as rupturas fazem parte do desenvolvimento normal de um povo, mas também que nos grupos humanos existem as lutas de superação.

O problema é alguém querer ser dominador da situação, dificultando o equilíbrio de forças entre os diferentes grupos. Aqui o Papa Francisco alude à necessidade do perdão e da reconciliação como instrumentos de paz, que são critérios cristãos, mas sem a prática de fatalismo, injustiça, intolerância e violência. Esses últimos dados nunca fizeram parte dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Ao falar dos atos das autoridades e do perdão para construir a amizade social, dois textos bíblicos podem corroborar com nossa reflexão: Mateus 20,25-26 e 18,23-35. Mas para costurar uma via de paz são necessários paciência, tolerância e compreensão. Usar de insensatez na administração da sociedade nunca consegue chegar ao bem comum, porque fere a liberdade dos indivíduos.

Os conflitos de interesses acompanham a trajetória dos povos. Em muitos casos eles dificultam a paz e a concórdia social, mas as pessoas capazes e bem intencionadas precisam tomar posição decidida e coerente diante deles. Os conflitos conseguem desfigurar o ser humano na sua dignidade e fragilizar sua capacidade de defesa em relação à justiça e aos direitos que lhes são próprios.

Não ajuda no desenvolvimento de um grupo, de uma família e até de uma nação, quando se alimenta o ódio e a retaliação, porque desencadeia uma série de vinganças, impedindo as pessoas de viverem a paz interior, necessária para a amizade social. Nunca vencer o mal com o mal, apesar de não ser tarefa tão fácil. Um dos caminhos é a prática da bondade como verdadeira força interior.

 


Fonte: Noticias da CNBB

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