‘Palavra’ é algo fundamental na Bíblia, que é um conjunto de palavras que narra a história da salvação. Na primeira página do livro sagrado, repete-se uma mesma palavra – faça-se –, com a qual o Criador formula suas ordens, e o universo se organiza harmoniosamente. Nenhuma ação concreta senão a repetição do ‘fiat’ (faça-se) para que os passos da evolução aconteçam num processo que culmina com o aparecimento do homem, a obra mais perfeita da Criação.

Há um momento, no desfilar dos séculos, em que a Palavra de Deus se encarna e vem morar no meio de nós: Jesus Cristo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, a Palavra do Pai que se revela o Redentor dos homens. Para que a Palavra de Deus seja cada vez mais conhecida, a Igreja Católica lhe dedica um mês no ano: setembro.

A importância dessa Palavra na construção do Reino de Deus é tão grande que compõe a primeira parte da Celebração Eucarística, a Liturgia da Palavra, constituída de algumas leituras bíblicas, entre as quais é obrigatório um trecho dos evangelhos. Não satisfeita com o realce dado à Palavra de Deus na Celebração Eucarística, a Igreja usa textos bíblicos na Liturgia das Horas, a oração oficial da Igreja.

Nenhum caminho de espiritualidade é percorrido no Cristianismo sem fundamentação bíblica. É impossível qualquer aprofundamento da fé cristã sem o convívio íntimo e constante do cristão com a Sagrada Escritura. É o melhor instrumento para criar intimidade entre nós e a Trindade, é a maior motivação para abrirmos a Deus o nosso coração quer seja para louvar, agradecer, pedir e celebrar. Tanto para os doutores da Igreja, como para o mais simples dos operários ela faz a ponte que nos conduz das deficiências da palavra humana para a revelação da sabedoria divina. Escutá-la, refletir sobre ela, embriagar-nos com ela, tomá-la como alimento que dá vida e coragem para sermos fiéis ao projeto do Pai é roteiro indispensável para a nossa conversão constante a Deus e ao outro.

Por muito tempo a Bíblia ficou um tanto esquecida na Igreja Católica. Era vista como leitura dos protestantes. Certa vez lia um romance que tinha a aparência de Bíblia numa sala de espera de um médico. Uma senhora que também ali se encontrava, timidamente, indaga-me: “Você é crente?” Respondi-lhe: Não. Por que você me pergunta isso? Talvez lhe tenha impressionado o livro que estou lendo? Ela respondeu afirmativamente. Continuei o diálogo: Você se enganou. Não é só crente que lê a Bíblia. Sou católica e diariamente faço a leitura orante da Palavra de Deus.

Essa conversa me deixou triste porque revelou a ideia preconceituosa de que só os protestantes convivem com a Sagrada Escritura. Felizmente há atualmente preocupação da Igreja para que a Bíblia ocupe o seu lugar de destaque na vida do cristão. A escolha de setembro como o Mês da Bíblia sinaliza esse empenho.

Yvette Amaral
yvettelemosamaral@gmail.com

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