A Igreja Católica e a Ciência

Muito se conhece sobre a Igreja Católica (IC), mas pouco se fala sobre suas ligações com a ciência. Curiosamente, chega-se até a pensar serem campos diversos de atuação, principalmente quando se admitem divergências entre ciência e religião católica. A história registra fatos dignos de serem relembrados.

Comecemos com o Papa Silvestre II, século X, considerado pelo historiador de ciência, Stephen Mason, como o “Papa Cientista, o primeiro dos renascimentos intelectuais”. A partir dessa época até a Revolução Cientifica no século XVII, o conhecimento acumulado no ocidente ocorreu sob o patrocínio da IC.

Desde o século XI, as catedrais tinham o dever de manter boas escolas secundárias. Dessas escolas surgiram, sob o patrocínio da IC, a partir do século XII, as primeiras universidades. Nem a Grécia Antiga, nem Roma criaram universidades com organização acadêmica inovadora, como o fez a IC. Boa parte da estrutura dessas primeiras universidades permanece na atualidade. As universidades de Paris (1170), Bolonha (1088), Oxford (1096) Cambridge (1209), Salamanca (1218), entre outras, nasceram sob o patrocínio ou aval da IC.

O ensino universitário evoluiu de comentários sobre leituras para a análise de texto fazendo com que surgissem conflitos com a religião católica. Todavia, no século XIII, o grande filósofo Tomás de Aquino (1227-1274), hoje santificado, foi capaz de conciliar a fé cristã com a filosofia grega, dissipando os conflitos nascidos no ensino acadêmico.

A primeira Academia de Ciências no mundo foi criada pela IC em 1603. Nasceu com o nome de Academia dos Linces. Ainda em plena atividade nos dias atuais, leva o nome de Academia de Ciência do Vaticano. Com abertura para acolher cientistas de qualquer credo ou sem ele, a Academia de Ciências do Vaticano congrega muitos laureados com a honrosa distinção de Prêmio Nobel.

Além desses fatos, o maior marco da história da ciência, isso é, o nascimento da Ciência Moderna através da Revolução Científica, ocorrida entre os séculos XVI e XVII, contou com a colaboração de notáveis cientistas ligados à IC: Roger Bacon, franciscano; Alberto Magno, dominicano (Patrono dos Cientistas); René Descartes, homem de fé, educado em colégio jesuíta; Francis Bacon, jesuíta; e o próprio Galileu Galilei, homem de fé, cujas ideias avançadas não foram compreendidas pela IC, gerando conflitos e condenação do cientista. Todavia, cerca de trezentos anos mais tarde, a IC reconheceu que Galileu estava correto. Reconhecer erros é lição de grandeza da IC.

Eliane S. Azevedo

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