A escuta: um ato de sabedoria e ternura

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos

O Evangelho de Lucas, que acompanhamos neste ano, nos traz, neste domingo, a belíssima narrativa do encontro de amizade de Jesus com Marta e Maria. Foi comum a interpretação de que Jesus privilegiou, neste episódio, a Maria como paradigma e exemplo da vida contemplativa e consagrada às coisas de Deus, sobre a vida ativa representada por Marta, mais dedicada às coisas do mundo e dos afazeres domésticos.

Esta contraposição é insuficiente e reducionista, uma vez que ambas as dimensões podem coexistir na mesma pessoa e são complementares, pois Marta se santificou com o trabalho, sendo a padroeira da hotelaria. Ainda, o aspecto mais relevante, em Maria, é a de estar numa atitude de escuta disponível para acolher o outro e a sua palavra, especialmente quando o outro é o próprio Deus e a sua Palavra é eterna.

Estamos num mundo fechado à interlocução e ao verdadeiro diálogo, que exige uma abertura de gentil e cordial escuta. Escutar é muito mais que ouvir apenas narrativas, palavras ou desabafos, implica em colocar-se em atitude de atenção plena ao outro, vivenciando a alteridade nos mínimos detalhes. Amar, é tratar o outro como outro, e haurir desta acolhida da presencialidade do visitante, a riqueza da troca e do intercâmbio.

Isto é precisamente o que o Papa Francisco chama de cultura do encontro, e que o poeta Vinicius de Moraes firmava com a famosa frase: “A vida é a arte do encontro”. A melhor parte de Maria é de ter escolhido o serviço e a diaconia da escuta, não só dos ouvidos, mas do coração, oferecendo o tempo, a hospitalidade da sua pessoa inteira. A cultura digital nos bombardeia de informações, temos sites em que vivemos conectados com o mundo afora, mas acolhemos realmente as pessoas?

As conhecemos em sua interioridade, aprendemos a escutar o que querem dizer-nos, sabemos ler as entrelinhas, os gestos, o contexto das pessoas com as quais convivemos? Por uma pastoral da escuta, que acolha profundamente as pessoas, para que sejamos empáticos, cordiais e gentis, sábios em “perder“ tempo com o próximo, para construirmos, juntos, a civilização do diálogo e da partilha. Deus seja louvado!

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Fonte: Noticias da CNBB

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