A ação social da Igreja

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta (RS)

Jesus Cristo compreendeu sua missão, como ungido pelo Espírito Santo para evangelizar os pobres (cf. Lc 4,14-20). “Ele sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados.” (Oração Eucarística VI D). Seria uma contradição gritante seguir a Jesus Cristo e não ter um coração misericordioso.

Tudo na vida da Igreja tem a marca “espiritual”. Por isso, tantas vezes se afirmou que não somos uma ONG ou uma obra de beneficência. Quando alguém se dispõe a integrar um grupo de ação caritativa ou se inserir numa pastoral que está do lado dos excluídos para, com eles, tomar consciência de seus deveres e direitos através das políticas públicas, se for autêntico, o fará por causa de sua fé, porque consegue ver nos irmãos, sobretudo no pobre, o rosto de Cristo sofredor. Por isso, normalmente, são ações que não aprecem nas notícias. Outro elemento importante é que a maioria das obras de caridade dos católicos não são contabilizadas, não anônimas, como nos ensina o evangelho (cf. Mt 6,3).

Foi afirmado que a Igreja Católica, presente em todo território nacional, tem “um exército de caridade”. Estas pessoas estão ligadas a dioceses, paróquias, congregações religiosas, associações, novas comunidades e institutos. “Junto com as 21 Pastorais Sociais estruturadas nacionalmente, as Obras Sociais da Igreja chegam à somatória de 499,9 milhões de atendimentos a cerca de 39,2 milhões de pessoas e aproximadamente 11,8 milhões de famílias” (Fonte: Site CNBB). Os dados são da pesquisa sobre a Ação Social da Igreja no Brasil encomendada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Fundação Grupo Esquel Brasil (FGEB), cujo presidente, o cientista social Silvio Sant’Ana, foi o responsável por organizar os dados no relatório.  A pesquisa se desenvolveu no campo ocupado por duas instâncias institucionais muito próprias no contexto eclesial: as “Obras Sociais” e as “Pastorais Sociais”. (cf. http://www.cnbb.org.br/pesquisca-cnbb-igreja-no-brasil-tem-exercito-de-caridade-dedicado-a-acoes-sociais). Não estão contabilizadas as ações das congregações religiosas, presentes no nosso território, nas áreas da saúde e educação. “As dimensões destes trabalhos são gigantescas e seguramente distorceriam os resultados quando mesclados com iniciativas menores”, explica Sant’Ana. “As Pastorais Sociais realizaram, em 2014, 106,4 milhões de atendimentos. São 8,9 milhões de pessoas atendidas e 2,7 milhões de famílias. A cobertura nas dioceses do Brasil tem destaque pela presença da Pastoral da Criança na totalidade das Igrejas Particulares do Brasil”, no total de 277 circunscrições eclesiásticas.

O tamanho e a permanência das ações são marcantes. E “isso não é instantâneo. Isso é todo dia, ano após ano” (Sílvio Sant´ana). E a motivação, diz o pesquisador, é por causa da fé. “Não é porque o Estado não faz, ou não está presente. É porque as pessoas são movidas a realizar o mandato da sua fé.”

Parabenizamos todos os católicos de nossa Diocese que olham para além de si mesmos e são caridosos e solidários, na atuação anônima, nos grupos de caridade social e nas Pastorais Sociais. Nossa atuação soma com tantas de outras instituições. Você já pensou em dar um tempo de si e dos seus recursos a quem mais precisa?

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Fonte: Noticias da CNBB

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