O mês de setembro chegou com uma grande notícia para o povo de Deus: o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, recebeu o Título de Cidadão Baiano, concedido pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

A Sessão Especial aconteceu no dia 1º de setembro, na presença de padres, religiosos, autoridades civis e militares, familiares e de representantes de diversas paróquias da capital baiana e até do interior do Estado.

Os bispos auxiliares da Arquidiocese de Salvador, Dom Marco Eugênio Galrão e Dom Hélio Pereira dos Santos, o bispo da Diocese de Camaçari, Dom João Carlos Petrini e o bispo da Diocese de Teixeira de Freitas, Dom Vilson Dias de Oliveira foram prestigiar o importante momento, que contou com a apresentação do Coro Barroco na Bahia e da exibição de um vídeo de abertura mostrando a trajetória de vida e de missão de Dom Murilo.

O Arcebispo recebeu, ainda, uma obra de arte do pintor e desenhista Flavio Ribeiro, retratando a Catedral Basílica.

Abrindo os trabalhos da mesa, o deputado Marcelino Galo, proponente da Sessão e o ex-deputado Yulo Oiticica, proponente da outorga, destacaram o valor do título.

“A Bahia teve a honra de recebê-lo e agora tem a honra de homenageá-lo, não como alguém que veio de fora e aqui ficou, mas como alguém que já é um de nós”, frisou o deputado Marcelino, sendo seguido pelo ex-deputado Yulo Oiticica. “Esse ato é singelo, mais extremamente relevante. Essa iniciativa orgulha essa casa, quando se trata do serviço prestado pela Igreja sob o comando de Dom Murilo”, destacou ele.

Outro ponto que chamou a atenção foi a presença de pessoas que vieram de longe, chegando a viajar por cerca de 15h, para homenagear o Arcebispo. Entre essas pessoas estava a sua sobrinha, Gladis Helena, com quem Dom Murilo entrou no plenário no início da cerimônia. “Tio Murilo está aqui há vários anos, e onde ele vai está o coração dele. Ele sempre diz isso, disse isso no primeiro dia, na missa em que ele tomou posse; e a gente fica muito feliz em saber que o povo baiano o acolhe dessa maneira, porque ele está aqui longe da terra dele, mas os baianos o adotaram e isso nos deixa muito felizes”, disse.

Para Dom Murilo, o sentimento de pertença à Bahia aconteceu de forma espontânea: “Me senti em casa desde que cheguei. Não foi difícil amar o povo. Descobri a acolhida e o carinho dos baianos”, disse.

Com relação ao título, o Arcebispo considerou a reciprocidade desse sentimento, destacando a responsabilidade que seguirá com ele junto aos cidadãos baianos. “Eu me sinto muito pequeno pelo reconhecimento. No fundo, a Bahia, através de seus representantes, está dizendo: nós queremos que o senhor seja um dos nossos...Agora sei que a Bahia começa a esperar mais de mim. Não posso ficar indiferente diante dos problemas desse povo”, destacou.

Não por acaso, em vários momentos da cerimônia, a atuação de Dom Murilo recebeu destaque, através do resgate da sua participação em momentos importantes vividos na Bahia, como na greve de professores em 2012 e as duas greves da Polícia Militar da Bahia, em 2012 e em 2014, ocasiões que tiveram o diálogo intermediado pelo Arcebispo. Recentemente, Dom Murilo se fez presente junto às famílias das vítimas do naufrágio ocorrido na Baía de Todos os Santos, no dia 24 de agosto deste ano, repetindo o gesto que teve na época do deslizamento de terra que aconteceu na localidade de Barro Branco, em Salvador, deixando mortos e desabrigados.

 

Logo após receber o Título de Cidadão Baiano, Dom Murilo falou sobre o significado da honraria. “Agora, oficialmente, sou cidadão baiano por adoção, como já era por livre escolha. Este Estado me adotou. Mas, ao me adotar, sei que a Bahia passa a esperar mais de mim. Agora, mais do que nunca, não posso ficar indiferente diante das alegrias e tristezas deste povo; diante dos desafios que ele enfrenta e dos problemas que o afligem; não posso ficar indiferente diante da insegurança em que muitos vivem ou das preocupações que cada qual tem pelo dia de amanhã. O que posso fazer diante de tudo isso? Posso fazer pouco, muito pouco. Mas não devo me preocupar: a meu lado estão mais de 15 milhões de baianos, com as mesmas preocupações e desejo de ver uma Bahia melhor, um Brasil mais justo e um mundo mais fraterno”, afirmou.

Fonte: Arquidiocese de Salvador
Texto: Silvana Lima