No próximo domingo, dia 10, a Paróquia de São Pedro celebra, em memória, o centenário de nascimento de Dom Tomás Murphy, norte-americano que foi missionário  na Amazônia, primeiro bispo de Juazeiro (na Bahia) e bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia. “Para marcar a passagem dos 100 anos de um bispo que foi tão importante na vida da nossa Igreja, serão celebradas três missas em memória e ação de graças pelo seu trabalho pastoral na nossa diocese – às 7h30, 9h30 e 11h30 –, na Igreja Matriz de São Pedro (localizada na Praça da Piedade, 11), intercaladas com momentos de oração e de adoração ao Santíssimo Sacramento”, informa o pároco, padre Aderbal Galvão de Sousa. Na manhã do domingo, será também aberta à visitação dos fiéis e do público em geral a ‘Memorabilia Dom Tomás 100 Anos’, que foi montada em um salão multiuso do Centro Comunitário Dom Tomás Murphy, anexo à Igreja Matriz.

A Memorabilia reúne 19 painéis que sintetizam e ilustram a vida e obra de Dom Tomás. Em duas dimensões (50cmX70cm e 1mX70cm), foram confeccionados em vinil sobre PVC e são de autoria do designer e artista visual Luciano Freaza. A produção dos painéis foi antecedida de um trabalho de pesquisa em publicações e álbuns de fotografias. As fotos selecionadas para a mostra foram restauradas, retirando-se as imperfeições e marcas deixadas pelo tempo. Os textos são de autoria de padre Aderbal, dos paroquianos José Trindade e Getúlio Machado, além de Luciano Freaza.

Logo na entrada da Memorabilia, o primeiro painel registra o objetivo da exposição: “A Paróquia de São Pedro, ao expor os principais fatos e coisas que suscitam a memória e a lembrança de Dom Tomás Guilherme Murphy, presta justa homenagem a este religioso norte-americano que tanto amou e fez pelo povo desta terra. Homem determinado e consciente da sua missão, ele deixou uma obra edificante no campo religioso e social, beneficiando a população e os mais necessitados, como as lavadeiras, prostitutas e população carcerária. As suas ideias e ações ainda se propagam nos dias de hoje e os seus escritos merecem reconhecimento, atenção e reflexão.”   

Dom Tomás nasceu em 10 de dezembro de 1917, na cidade de Omaha, no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos, de família profundamente católica. Aos 13 anos, entrou para o seminário. Cursou Filosofia e Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, da Congregação do Santíssimo Redentor – Seminário Redentorista –, em Oconomowoc, no Estado do Wisconsin, tendo feito seus votos religiosos nessa Congregação em 2 de agosto de 1938. Fez pós-graduação em Educação e em Psicologia Pastoral. 

Ordenado sacerdote em 29 de junho de 1943, foi designado para ser pregador de missões no Brasil, no Estado do Amazonas, em 1945, atuando como coordenador, pregador de Santas Missões Populares, pároco de Manacapuru e vice-provincial da Missão Redentorista na Amazônia até 1958. 

Após um breve período de volta aos Estados Unidos, foi ordenado bispo em 2 de janeiro de 1963 e designado para ser o primeiro bispo da recém-criada Diocese de Juazeiro, na Bahia. “Ad Iesum per Mariam” (A Jesus por Maria) foi seu lema como bispo. A devoção a Nossa Senhora e à Eucaristia era a marca de sua espiritualidade. Nos 12 anos que permaneceu em Juazeiro, coube-lhe organizar a nova diocese desde os alicerces, traçar linhas pastorais, abrir casas de formação para o sacerdócio, criar obras sociais, inclusive para recuperação de prostitutas, sem descuido da evangelização. O povo o acolheu com amor e reconhecimento pelo seu trabalho. Devido a problemas de saúde, pediu ao então Papa Paulo VI sua transferência para Salvador, em 1975. 

Como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Tomás  trabalhou com o então Cardeal Arcebispo Dom Avelar Brandão Vilela, que veio a falecer em 1986. Dom Tomás assumiu a Arquidiocese vacante até a chegada do novo arcebispo, Dom Lucas Moreira Neves, em setembro de 1987. Como bispo auxiliar atuou na Cúria Metropolitana e na administração financeira da Arquidiocese, junto aos leigos (Movimento de Cursilhos da Cristandade, Renovação Carismática Católica, Instituto Feminino, Missionários da Eucaristia) e às religiosas, tanto na direção espiritual quanto no confessionário, e ainda, no atendimento a idosos e doentes. Ele também fundou o Curso Igreja, valorizou e promoveu a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese, expressando grande apoio à Rádio Excelsior e ao Setor de Vídeo e TV.

A descoberta de uma leucemia o levou aos Estados Unidos em busca de tratamento, em 1993. Poucos meses depois retornou ao Brasil, mas permaneceu por pouco tempo, tendo que retornar à sua terra para continuar o tratamento da doença que avançava apressadamente. Com o tratamento, a leucemia estava controlada, porém seu coração não suportou. Em 6 de julho de 1995, no Hospital Santa Maria, em Saint Louis, no Missouri, ele faleceu, sendo sepultado em Ligouri, no cemitério da sua Congregação, em 11 de julho, com a presença do então Cardeal Arcebispo Dom Lucas Moreira Neves, irmãos da Congregação dos Redentoristas, familiares e amigos brasileiros e americanos.